INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Trump quer que outros países subam preços de remédios para baixar os dos EUA

Trump argumentou que outros países se aproveitam da indústria farmacêutica americana e dos seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou na sexta-feira (11) seu plano para reduzir os custos dos remédios dentro do país, uma estratégia com a qual pretende, entre outras coisas, obrigar outras nações a aumentar os preços dos medicamentos com o objetivo de baixá-los dentro das suas fronteiras.

O governante americano, que aborda assim outra das suas promessas de campanha, pretende buscar formas de aumentar a concorrência, obter mais poder de negociação sobre os preços e encontrar outras maneiras de reduzi-los, assim como os custos arcados pelos pacientes.

“É hora de pôr fim aos abusos de uma vez por todas. Instruí o representante comercial dos EUA, Bob Lighthizer, para que a solução para esta injustiça seja uma prioridade para todos os parceiros comerciais”, disse o presidente nos jardins da Casa Branca.

“E temos um grande poder sobre os parceiros comerciais, como vocês estão vendo. Os Estados Unidos não serão mais enganados e, especialmente, não serão enganados por países estrangeiros”, completou.

Trump argumentou que outros países se aproveitam da indústria farmacêutica americana e dos seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, razão pela qual assegurou que, para diminuir os preços dos remédios em nível interno, exigirá um aumento no exterior.

“Quando os governos estrangeiros exigem preços irracionalmente baixos aos fabricantes de remédios americanos, os americanos têm que pagar mais para subsidiar o enorme custo da pesquisa e do desenvolvimento”, justificou.

“Em alguns casos, o remédio que custa uns poucos dólares em um país estrangeiro custa centenas de dólares nos EUA pela mesma pílula, com os mesmos ingredientes, no mesmo pacote, fabricados na mesma fábrica”, disse.

Trump considerou que essa situação é “inaceitável, injusta e ridícula“, e indicou que “não vai acontecer mais”.

O presidente americano também destacou o papel dos intermediários na indústria farmacêutica, incluídos os gerentes de benefícios farmacêuticos que negociam preços mais baixos em forma de descontos e os planos de saúde que recebem esses descontos.

“Estamos eliminando os intermediários. Ficaram muito ricos, já não serão tão ricos”, ressaltou.

O governo Trump também publicou um relatório de 44 páginas intitulado “Os pacientes americanos em primeiro lugar“, que detalha como planeja abordar os preços dos remédios.

“Se queremos ter um mercado livre para os medicamentos, por que não obrigar também a que divulguem seus preços nos anúncios?”, sugeriu Alex Azar, secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS, em inglês), ao referir-se à transparência da indústria farmacêutica.

Nos Estados Unidos, os fabricantes de remédios podem cobrar tanto quanto o mercado demande, já que o governo não regula os preços dos remédios, ao contrário da maioria dos demais países.

Apesar dos esforços democratas em implementar algumas regulações, os republicanos se opuseram historicamente a isso, o que provoca fundamentalmente que o americano médio gaste muito mais em remédios que os cidadãos de outras nações.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2015 nos EUA foram gastos US$ 1.162 por pessoa em produtos farmacêuticos, frente a US$ 756 no Canadá e US$ 497 no Reino Unido, onde existem medidas governamentais para controlar os preços dos remédios.

Publicado em Doenças e Tratamentos

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