Alimentação

Pesquisa conclui que restaurantes brasileiros fornecem pratos excessivamente grandes e calóricos

Tamanho das porções em refeições do tipo a la carte favorece a obesidade, mesmo com alimentos naturais

  • A feijoada é um dos pratos mais A feijoada é um dos pratos mais "bem servidos" no Brasil. Foto: Wikimedia Commons
A feijoada é um dos pratos mais

Restaurantes de diversos países, entre eles o Brasil, fornecem refeições com quantidades exageradas de comida, que ultrapassam o máximo de calorias recomendadas pelos órgãos de saúde. Ainda que se tratem de pratos consideravelmente saudáveis, à base de arroz, feijão, carne, legumes e verduras, o tamanho dessas porções contribui para a obesidade no país.

A conclusão é de um estudo científico realizado em restaurantes populares de Brasil, China, Finlândia, Gana e Índia, publicado na revista científica British Medical Journal, da Inglaterra. No Brasil, a pesquisa foi conduzida pelo departamento de medicina da USP de Ribeirão Preto.

Foram analisadas 223 amostras de refeições populares nos países escolhidos e 111 refeições selecionadas aleatoriamente de pratos a la carte e fast-food. O resultado mostrou que 94% das refeições a la carte e 72% dos pratos fast-food continham mais do que 600 quilocalorias (kcal), ultrapassando o recomendado pelo sistema de saúde inglês.

“A análise quebrou dois sensos comuns: de que não estamos só comendo pior, mas em exagero, e que em termos de calorias muitas vezes um prato considerado saudável pode engordar mais, deixar o balanço energético mais positivo, do que o de um fast-food”, disse Vivian Suen, uma das autoras do artigo.

As refeições avaliadas não eram apenas calóricas, mas se tornavam ricas em calorias em virtude do tamanho excessivo das porções. No Brasil, por exemplo, um prato com arroz, feijão, frango, salada, mandioca e pão continha 1656 kcal em 841 gramas de comida.

Com exceção à China, que apresentou alimentos menos calóricos em relação aos outros países, as refeições forneciam de 70% a 120% das calorias diárias necessárias a uma mulher que não pratica atividade física, por exemplo.

Na média, as refeições fast-food apresentaram menos calorias do que os pratos a la carte (809 ante 1317 kcal). Contudo, o estudo ressalta que isso se deve essencialmente ao tamanho das porções e não à qualidade dos alimentos.

“Enquanto estamos prestando atenção em fast-foods, com campanhas para alimentação saudável, que são muito positivas e necessárias, também deixamos de lado fatores como o tamanho das porções que estamos comendo. Isso pode ter um impacto grande também na obesidade mundial”, disse Suen.

Outro ponto importante é a questão da compensação na alimentação. Segundo Suen, quando uma pessoa dentro do peso come muito no almoço, por exemplo, ela tende a sentir menos fome e comer menos no jantar. Os obesos, contudo, “perdem” essa percepção e não equilibram o que foi consumido durante o dia, o que favorece ainda mais o consumo de comida e calorias.

 

Com informações da Agência Fapesp

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Publicado em Saúde e Bem-estar

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