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Erros hospitalares provocam 150 mortes por dia no Brasil

Pesquisa aponta que país poderia evitar 36 mil mortes anuais com prevenção de infecções e falhas operacionais

  • Imagem ilustrativa de leito hospitalar. Foto: Pixabay/ParentingupsetreamImagem ilustrativa de leito hospitalar. Foto: Pixabay/Parentingupsetream
Imagem ilustrativa de leito hospitalar. Foto: Pixabay/Parentingupsetream

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Feluma, da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em parceria com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), detectou dados alarmantes para a saúde no Brasil: cerca de 150 pessoas morrem, por dia, nos hospitais brasileiros, em virtude de erros e falhas operacionais, sendo que dois terços dessas mortes poderiam ser evitadas.

Os números do 2º Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil são relativos a 2017 e se referem aos chamados “eventos adversos graves”, que incluem diversos fatores que fogem ao funcionamento perfeito de um hospital, como erros no uso de medicamentos, complicações cirúrgicas, mal uso de dispositivos e infecções contraídas no local.

De acordo com o levantamento, mais de 54 mil mortes foram provocadas no país por eventos adversos graves, das quais 36 mil eram evitáveis. Isso representa 150 mortes por dia e seis por hora, número próximo ao de mortes violentas no país, de sete a cada hora, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016.

Segundo os pesquisadores, cinco desses fatores não contam com nenhum tipo de programa de prevenção, seja na rede pública ou privada: parada cardiorrespiratória, insuficiência renal, aspiração pulmonar, hemorragia pós-operatória e insuficiência respiratória.

“Os eventos adversos são inerentes a qualquer serviço de saúde, mesmo nos melhores e mais sofisticados sistemas do mundo. Não se trata, portanto, de buscar culpados, mas de propor medidas que enfrentem o problema”, afirma o médico Renato Couto, um dos responsáveis pelo levantamento.

De acordo com o Datasus, banco de dados do Sistema Único de Saúde, em 2016 o Brasil registrou quase 880 mil mortes em hospitais. Desse modo, mais de 6% dos óbitos nesse ambiente se referem a falhas e erros operacionais.

Já no 1º Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, relativo a 2016 e publicado em 2017, que foi desenvolvido com outra metodologia, a estimativa era de 300 mil mortes anuais por eventos adversos graves, o que torna a pesquisa atual conservadora em relação à do ano passado.

“O fato de os hospitais analisados no estudo serem considerados ‘de primeira linha’ e apresentarem esses números indica que a média nacional projetada a partir da amostra estudada provavelmente está subestimando o problema”, declara o superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro.

A pesquisa foi feita com base em amostras de mais de 450 mil pacientes internados em hospitais da rede pública e privada ao longo de 2017. Os dados foram coletados em municípios com mais de 100 mil habitantes e com desenvolvimento acima da média nacional, distribuídos por todo o território brasileiro.

Para Carneiro, um dos principais motivos para as falhas hospitalares é o modelo de prestação de serviço do país, o “fee-for-service” (gratificação por serviço, em inglês), em que os hospitais são pagos de acordo com os trabalhos executados.

“Estamos premiando o desperdício. No modelo atual, as organizações inseguras, com maior incidência de erros, são recompensadas com aumento de receitas em virtude do trabalho que tiveram”, critica.

O médico Renato Couto, por sua vez, completa: “É natural que, se os gastos partiram de um erro do hospital, a própria entidade arque com esses custos adicionais”.

Capacidade de atendimento

Para além do grande prejuízo com a perda de milhares de vidas no país, o levantamento também estimou o quanto de capacidade de atendimento o Brasil perde em decorrência das falhas hospitalares. Segundo o estudo, elas acarretam em um maior tempo de recuperação dos enfermos, o que favorece a ocupação de leitos por mais tempo e impede que mais pacientes sejam atendidos.

De acordo com a pesquisa, cada evento adverso grave aumenta o período de internação do paciente em média em 14,4 dias, o que prejudicou o atendimento de 7,7 milhões de pessoas em 2017.

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