ALIMENTAÇÃO

Jejum constante e prolongado pode desencadear doenças e danos neuronais

Especialistas mexicanos explicaram que ficar mais de seis horas acordado e sem comer já é considerado jejum, o que, se for recorrente, pode ser prejudicial à saúde

  • EFE/ MANUEL RUIZ TORIBIOEFE/ MANUEL RUIZ TORIBIO
EFE/ MANUEL RUIZ TORIBIO

Falta de concentração, enjoo e cansaço, diabetes, gastrite, sobrepeso e dano neuronal podem ser as consequências de ficar em jejum de maneira constante e por períodos prolongados, advertem especialistas mexicanos.

“Deixar de comer por mais de seis horas quando se está acordado pode ser considerado jejum”, detalhou o nutrólogo Salvador Ortiz Gutiérrez, do Hospital Juárez do México.

O especialista explicou em um comunicado que abster-se de ingerir alimentos deixa o cérebro sem glicose, “o que equivale a deixar sem gasolina um automóvel”.

Gutiérrez destacou que, quando isso ocorre, se diminui a capacidade de concentração e memorização, além de que, se os jejuns forem constantes, podem provocar danos neuronais, os quais são irreversíveis em alguns casos.

Ortiz Gutiérrez disse que, quando o jejum ocorre em crianças, pode haver dificuldade nos processos cognitivos como a aprendizagem e a memorização. Por isso, “se vão a escola sem tomar o café da manhã, aprender será um trabalho custoso”, explicou.

Nas pessoas mais velhas, assegurou, o jejum pode provocar dificuldades ao realizar ações como dirigir “porque falta a glicose requerida pelo cérebro para que este possa funcionar adequadamente”.

Entre as razões mais comuns pelas quais as pessoas pulam o café da manhã ou alguma outra refeição, está ir para o trabalho ou para a escola mais tarde, a falta de apetite e o desejo de perder peso, “mas põem em risco sua saúde”, indicou o especialista.

Carlos Alberto Aguilar Salinas, coordenador da Unidade de Pesquisas Metabólicas do Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán, disse que há estudos que demonstraram que a omissão da primeira refeição do dia “aumenta o risco de obesidade, hipertensão e diabetes”.

Também existe o risco de provocar gastrite, pois ao não receber alimentos “o ácido gástrico irrita o estômago de forma constante”, destacou.

Do mesmo modo, disse que o ganho de peso se origina principalmente da falta de controle da saciedade, pois o organismo faminto consome todo o que pode quando se apresenta a oportunidade de comer depois de um jejum prolongado.

“Quando isso ocorre, se come para quitar o apetite, sem ter-se responsabilidade sobre a quantidade de açúcares, gorduras e calorias”, indicou.

Por sua parte, Simón Barquera, diretor do Centro de Pesquisas em Nutrição e Saúde, do Instituto Nacional de Saúde Pública, disse que, nos últimos anos, tem-se visto uma mudança nos estilos de vida.
“Estar sedentário e ter pouco tempo para comer são condutas que não ajudam, porque se escolhe algo rápido e com muitas calorias”, disse.

Os especialistas ressaltaram a necessidade de ter horários regulares para a ingestão de alimentos, mas, antes de tudo, escolher comidas naturais e evitar produtos super-processados e embalados.

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Publicado em Nutrição

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