TABACO

A cruzada pessoal de Erdogan contra o tabaco

Na Turquia, 44% dos homens fumam, seja diariamente ou ocasionalmente, embora a média nacional seja de 30%, já que só 17% das mulheres fumam.

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Todos os governos advertem seus cidadãos dos perigos do tabaco, mas para o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, trata-se de uma cruzada pessoal, até o ponto dele tirar os cigarros de quem está próximo dele.

“Se vejo alguém com um maço de cigarros no bolso, vou e confisco”, confirmou o próprio Erdogan sobre seus esforços para livrar o país do tabaco.

O presidente costuma escrever nome, endereço e telefone da pessoa, assim como a data, no maço de cigarros, exigindo uma promessa de deixar o vício.

Em 2016, o palácio presidencial recebeu uma exposição com os maços de cigarros “confiscados” e assinados, e Erdogan convidou para jantar 20 cidadãos que tinham sido convencidos por ele a parar de fumar.

Na Turquia, 44% dos homens fumam, seja diariamente ou ocasionalmente, embora a média nacional seja de 30%, já que só 17% das mulheres cultive o hábito.

Nas grandes cidades, as mulheres fumam tanto ou mais quanto os homens, mas, nos munícipios da Anatólia, o tabaco é um hábito exclusivamente masculino, explicou à Agência Efe o professor Recep Erol Sezer.

“Conseguimos baixar um pouco o consumo entre homens, que era de 58% em 1993, mas aumentou o de mulheres, que estava em 13%“, detalhou o professor.

Sezer faz parte da associação Yesilay (Lua Verde), fundada em 1920 para lutar contra o consumo de álcool, mas que hoje se dedica a prevenir todo tipo de dependência.

A organização promove jornadas durante as quais dezenas de jovens voluntários saem às ruas com cartazes e folhetos, parando os transeuntes para lhes falar sobre os perigos do tabaco.

 

Voluntários da Lua Verde. EFE

 

Segundo Sezer, a dependência piorou quando a Turquia aboliu o monopólio do tabaco na década de 1980 e permitiu a entrada de marcas estrangeiras, ainda que a proibição da publicidade deste produto em 1996 tenha freado um pouco a expansão do hábito.

Além das marcas internacionais, é frequente encontrar nos mercadinhos tabaco a granel de diferentes qualidades, procedentes dos cultivos da Turquia, que é um grande exportador, mas o consumo da produção local quase não representa 1% do total, segundo Sezer.

Mais preocupante é o narguilé, que faz sucesso entre muitos jovens das grandes cidades, ainda que o autêntico hábito turco do cachimbo de água “com um tabaco seco que só era suportado por fumantes veteranos” tenha caído no esquecimento na década de 80, afirmou Sezer.

A nova versão, popular em Istambul, oferece tabacos aromatizados fáceis de inalar, mas não menos nocivos.

A lei que proíbe fumar em bares, restaurantes, escritórios e qualquer espaço público fechado, aprovada em 2009, não conseguiu reduzir o consumo, mas criou uma nova cultura, assegura o professor.

Agora quase todos os locais de lazer dispõem de algumas mesas no exterior, seja na rua ou em uma varanda, equipadas no inverno com potentes fogareiros de gás, e são espaços movimentados mesmo em dias de chuva ou neve.

Mas também não é raro entrar em um bar e receber primeiro um cinzeiro na mesa. Outras vezes, o garçom coloca um copinho de plástico com água, ou uma garrafa de cerveja vazia, mais fáceis de dissimular em caso de controle policial.

Alguns bares criaram inclusive uma rede de alertas pela qual avisam uns aos outros por telefone quando uma patrulha se aproxima, momento no qual uma garçonete percorre o bar impondo um veto temporário aos cigarros e escondendo os cinzeiros.

No entanto, Yesilay idealizou um contra-ataque: divulga a seus simpatizantes um aplicativo para celular chamado “Dedektor“, que envia um alerta de “vulneração das normas” aos grupos de trabalho antitabaco que existem em toda cidade turca.

Estes grupos são compostos de funcionários do Ministério de Saúde e municipais, mas também incluem um representante da polícia, que reforçarão sua supervisão do local de acordo com os dados de geolocalização enviados pelo “Dedektor”.

“A indústria tabaqueira resiste, mas é preciso criar uma cultura de ar sem fumaça“, concluiu o professor Sezer.

 

Voluntários da Lua Verde. EFE

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