ANTIBIÓTICOS

Cientistas identificam base molecular de bactérias resistentes a antibióticos

Segundo os autores da pesquisa, as bactérias desenvolveram resistência à maioria dos medicamentos que usamos hoje em dia, principalmente aos antibióticos, o que torna este fenômeno uma das maiores ameaças atuais para a saúde mundial

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Cientistas identificam base molecular de bactérias resistentes a antibióticos

O Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL, na siglas em inglês) identificou a base molecular do principal mecanismo de bactérias para transferir a resistência a antibióticos, segundo um estudo publicado na última quinta-feira (15) na revista especializada Cell.

Segundo os autores da pesquisa, as bactérias desenvolveram resistência à maioria dos medicamentos que usamos hoje em dia, o que torna este fenômeno uma das maiores ameaças atuais para a saúde mundial. Um exemplo de bactéria resistente a antibióticos é a Staphylococcus aureus, resistente à meticilina.

A base molecular em questão são os transposons, elementos genéticos que podem mudar situações no genoma de uma célula de forma autônoma. Quando eles se transferem entre bactérias, podem transportar genes de resistência a antibióticos dentro deles.

Os pesquisadores descobriram que os transposons contêm uma proteína chamada transposase, que permite que estes elementos genéticos se unam ao DNA em um estado inativo, o que evita sua divisão e sua destruição.

Esta proteína (a transposase) também obriga o DNA dos transposons a se desenrolar e se abrir, o que lhe permite inserir sua carga de resistência aos antibióticos em muitos lugares em uma gama extremamente diversa de bactérias.

“Se pensarmos em cabos, geralmente quando eles se agrupam e se enrolam, eles ficam mais resistentes. Se quiser rasgar ou cortar um, é muito mais fácil se o desenrolar e o afrouxar primeiro”, ilustrou a autora principal da pesquisa, Orsolya Barabas.

“O mesmo ocorre com o DNA, e o mecanismo de transferência de transposons se aproveita disso: a proteína transposase se desenrola e separa primeiro as cadeias de DNA dos transposons, o que faz com que seja mais fácil cortar essas cadeias de DNA e colá-las no novo lugar no genoma receptor”, explicou Barabas.

A equipe também projetou duas estratégias que poderiam, ao menos experimentalmente, evitar a transferência de genes de resistência aos antibióticos.

O primeiro evita que a proteína transposase passe à sua forma ativa ao bloquear a sua arquitetura com um peptídeo de novo desenho, uma cadeia curta de aminoácidos.

O segundo método é um imitador de DNA que se une ao lugar aberto dentro dos transposons, bloqueando assim a substituição do filamento de DNA necessário para a transferência de resistência.

A partir de agora, Barabas e a sua equipe concentra sua pesquisa em melhorar a compreensão dos mecanismos de transferência na vida real, e em provar e desenvolver ainda mais as estratégias para limitá-la.

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Publicado em Ciência Médica

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