ANTIBIÓTICOS

Cientistas detectam em animais da UE resistência a antibióticos de humanos

A resistência aos antimicrobianos é considerada um problema de saúde pública, já que reduz a efetividade de determinados tratamentos e é especialmente perigosa nas situações que esses medicamentos são usados como a última opção.

  • EFE/ George FreyEFE/ George Frey
EFE/ George Frey

Cientistas europeus detectaram pela primeira vez em animais de fazenda na União Europeia (UE) resistência a certos antibióticos utilizados para tratar graves infecções em humanos.

Um novo estudo da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e do Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (CEPCD), publicado hoje, revela que continua havendo bactérias em seres humanos e animais que são resistentes a antibióticos. A partir de dados de 2016, foi achada a resistência aos carbapenemas em aves de criação, apesar do seu uso não ser autorizado em animais, e ao linezolid em porcos.

“É alarmante porque esses antibióticos são utilizados em humanos para tratar infecções graves“, afirmou, em comunicado, Marta Hugas, chefe da Unidade de Riscos e Contaminantes Biológicas da EFSA, instituição com sede na cidade italiana de Parma.

A resistência aos antimicrobianos é considerada um problema de saúde pública, já que reduz a efetividade de determinados tratamentos e é especialmente perigosa nas situações que esses medicamentos são usados como a última opção.

O comissário europeu de Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, lembrou que os níveis de resistência diferem significativamente entre os países da EU e ressaltou que é necessário unir esforços para abordar o assunto nos diferentes setores.

O estudo também estabelece altos níveis de resistência em humanos de bactérias como a salmonella ou as do gênero campylobacter, transmitidas em alimentos.

“O fato de continuarmos detectando bactérias resistentes a múltiplas drogas significa que a situação não está melhorando”, disse o cientista-chefe do ECDC, Mike Catchpole, que apelou para a continuidade das pesquisas.

Calcula-se que anualmente 25 mil pessoas morrem na União Europeia (UE) por resistência a antimicrobianos. No mundo todo esse número chega a 700 mil e, se medidas não forem tomadas, em 2050 o número de vidas humanas perdidas poderia chegar aos milhões. A Organização das Nações Unidas (ONU) sugere a adoção de boas práticas de higiene, biossegurança e protocolos de vacinação, assim como usar os antibióticos com prudência, seguindo as instruções dos profissionais e não empregá-los para promover o crescimento da produção animal, por exemplo.

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