Cientistas criam método com cores para estudar evolução de câncer ósseo

Pesquisa também sugeriu nova maneira de enxergar o câncer, similar à teoria da evolução das espécies

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Cientistas criam método com cores para estudar evolução de câncer ósseo

Cientistas de hospitais de Espanha e Reino Unido transformaram um tumor ósseo em um “tela” na qual, a partir de técnicas de modificação genética, pintaram as células doentes, o que ajudará a ver e diferenciar melhor o comportamento de cada uma delas.

A tecnologia, divulgada nesta sexta-feira na revista “Nature Communications”, funciona como os pixels das telas RGB, nas quais a combinação de três cores básicas – vermelho, verde e azul – resulta em toda a escala de cores do espectro visível.

O estudo liderado por Javier García-Castro, chefe da Unidade de Biotecnologia Celular do Instituto de Saúde Carlos III, em Madri, se centrou nos osteossarcomas, um tipo de tumor ósseo maligno.

No trabalho, o pesquisador Stefano Gambera, também do Instituto, não só marcou as células com cores como utilizou as bases da teoria da evolução de Charles Darwin para tentar desvendar por que os osteossarcomas são tão imprevisíveis e tão frequentemente podem desenvolver resistência aos medicamentos.

“Atualmente, o desenvolvimento de um câncer é conceituado através de um modelo parecido com o da evolução das espécies na Terra. O processo evolutivo é frequentemente desenhado como uma grande árvore onde as espécies atuais são representadas pelos galhos mais altos e as espécies extintas são as mais baixas”, explicou Gambera. Da mesma forma, pensava-se que o câncer podia ser representado como uma árvore em seu desenvolvimento.

“Nosso estudo mostra como a evolução dos osteossarcomas pode seguir um padrão de desenvolvimento neutro e diferentes ‘espécies tumorais’ (clones) podem coexistir e evoluir paralelamente”, afirmou Gambera.

Para o pesquisador, esta descoberta poderia representar uma mudança na busca de terapias contra o câncer.

“Seguindo a semelhança com a árvore evolutiva, seria necessário focar no tronco, como alvo terapêutico, e não no topo da árvore evolutiva do câncer”, explicou o pesquisador.

O estudo também apresentou evidências de que a doença disseminada (metastática) não representa o estado terminal de um único processo evolutivo e que diferentes ‘espécies tumorais’ (clones) são capazes de alcançar esse objetivo e, portanto, estão evoluindo paralelamente.

“Hoje em dia, é preciso entender o câncer como uma doença dinâmica, capaz de se adaptar e em constante evolução”, finalizou Gambera.

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Publicado em Ciência Médica

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