GENÉTICA

Cientista chinês defende efetividade de estudo de edição genética em embriões

He Jiankui reconheceu que seu experimento não estava aprovado por nenhuma instituição oficial

  • O cientista He Jiankui. EFE/Alex HoffordO cientista He Jiankui. EFE/Alex Hofford
O cientista He Jiankui. EFE/Alex Hofford

O científico chinês He Jiankui defendeu hoje a efetividade do experimento com o qual assegura ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo para que sejam resistentes a certas doenças como o HIV.

“O estudo ofereceu resultados efetivos e foi entregue para sua revisão na comunidade científica”, disse He durante sua participação na II Conferência sobre Edição do Genoma Humano na Universidade de Hong Kong.

Na sua fala, He, que reconheceu que seu experimento não estava aprovado por nenhuma instituição oficial, garantiu que as gêmeas supostamente editadas geneticamente, Lulu e Nana, “nasceram saudáveis e felizes”, graças à fertilização in vitro com tecnologia de modificação genética “que evitará que se infectem com o HIV“.

He justificou o uso da técnica de edição genética CRISPR/Cas9 e ressaltou que o experimento não tinha o objetivo de eliminar doenças genéticas”, mas o de “dar às meninas a habilidade natural para resistir a uma possível futura infecção do HIV“.

“Esta gente precisa de ajuda e temos a tecnologia”, assegurou, acrescentando que os pais foram informados dos riscos do experimento e deram seu consentimento.

“Embora haja progressos nos tratamentos com o HIV, as novas infecções seguem sendo um problema para muitos países, especialmente nos menos desenvolvidos”, salientou.

 

EFE/Alex Hofford

 

He afirmou ainda que realizou experiências com sete casais, com um dos seus membros infectados com HIV, e ressaltou que “há mais possíveis gestações” entre eles.

Além disso, o cientista agradeceu à Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da cidade de Shenzhen com a qual trabalhava, “apesar de não saberem” o que ele estava fazendo.

Na segunda-feira passada a universidade anunciou que vai investigar o cientista para determinar se seu experimentou violou as leis ou suas regulações.

A universidade afirmou sentir-se “profundamente comovida pelo caso”, que qualificou como “uma grave violação da ética e dos padrões acadêmicos“.

Nesse mesmo dia mais de 120 acadêmicos da comunidade científica chinesa assinalaram em uma declaração emitida no Weibo, o equivalente chinês do Twitter, que “qualquer tentativa” de fazer mudanças em embriões humanos mediante modificações genéticas é “uma loucura” e que dar à luz a estes bebês acarreta “um alto risco“.

Em nível global, a revista “Nature” uniu-se hoje também ao debate e em artigo sustenta que o anúncio provocou “indignação” entre a comunidade científica internacional e que, se for verdade, “representaria um salto significativo no uso da modificação do genoma humano“.

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Publicado em Ciência Médica

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