MICROBIOMA

“Arca de Noé” de microbioma humano pode ser antídoto contra crise de saúde

Há várias gerações, os antibióticos e as dietas processadas contribuíram para uma perda em massa da diversidade microbiana

  • EFESALUD Espanha/ Foto cedida por FerringEFESALUD Espanha/ Foto cedida por Ferring
EFESALUD Espanha/ Foto cedida por Ferring

A criação de uma reserva mundial de micróbioma humano – uma “Arca de Noé” de micróbios bons – pode ser um antídoto para a crise global de saúde que se reflete no aumento de doenças como a obesidade, a asma e as alergias, segundo um estudo da Universidade de Rutgers.

Uma equipe de cientistas da Rutgers, em Nova Jersey (EUA), comparam sua proposta, publicada na última edição da revista “Science”, com o Silo Global de Sementes de Svalbard, a maior reserva mundial de amostras de plantas, inaugurado em fevereiro de 2008 no arquipélago de Svalbard, no extremo norte da Noruega.

A microbiota evoluiu em conjunto com os seres humanos e com animais e plantas, durante milênios. Alguns órgãos do corpo humano “não funcionam normalmente sem os micróbios associados”, que exercem diferentes funções, “desde treinar o sistema imunológico até digerir alimentos e produzir vitaminas“, afirmou à Agência Efe a venezuelana María Gloria Domínguez-Bello, autora principal da proposta e professora da Universidade de Rutgers.

Há várias gerações, os antibióticos e as dietas processadas contribuíram para uma perda em massa da diversidade microbiana.

“As práticas modernas com as quais controlamos as doenças infecciosas parecem estar tendo o efeito colateral de afetar nossos micróbios humanos”, explicou María, que acrescentou que estas também “impedem a transmissão de micróbios bons, sobretudo aos bebês“.

As evidências científicas revelam, cada vez com mais contundência, que as alterações da microbiota durante os primeiros anos de vida e as anomalias metabólicas resultantes são fatores fundamentais para o desenvolvimento de doenças.

Por isso, a cientista e os coautores do artigo, Rob Knight, da Universidade da Califórnia; Jack A. Gilbert, da Universidade de Chicago, e Martin J. Blaser, do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, destacam a necessidade de reintroduzir micróbios perdidos e criar uma reserva mundial de microbioma.

O primeiro passo seria, de acordo com o artigo, coletar micróbios benéficos de populações remotas da América Latina e da África, que são as que têm uma maior diversidade microbiana, já que ainda não foram vítimas dos efeitos nocivos das sociedades modernas e urbanizadas.

Por exemplo, a flora intestinal da maioria dos americanos tem a metade da diversidade da dos caçadores de povoados isolados da Amazônia.

Uma vez identificados, os “micróbios saudáveis” poderiam ser “reintroduzidos como probióticos” ou como “uma espécie de ‘vacinação’ usando componentes ativos, não para proteger contra patógenos, mas para obter a função benéfica”, disse María.

Os pesquisadores ressaltam que é imprescindível um esforço internacional, com financiamento suficiente para colher e armazenar os micróbios bons em uma reserva global.

O artigo “é o primeiro passo para fazer visível a ideia e poder começar a campanha de apoio“, concluiu a cientista.

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Publicado em Saúde e Bem-estar

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