cmo se cuida

Randy Schekman

Sem tratamento, Alzheimer e Parkinson serão um problema mundial

EFE/Kai Försterling EFE/Kai Försterling

Para o biólogo celular Randy Schekman, Prêmio Nobel de Medicina em 2013, as doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer ou o Parkinson, se tornarão “um dos problemas mais urgentes do mundo”, que necessitam de apoio governamental e filantrópico para seguirem sendo pesquisadas.

Em entrevista à Agência Efe, Schekman, que faz parte do júri dos Prêmios Rei Jaime I, que são entregues em Valência (Espanha), destacou que nos últimos anos houve “um tremendo progresso” na oncologia e cardiologia, mas o mesmo não ocorreu com as doenças neurodegenerativas, para as quais ainda não há nenhum tratamento.

O pesquisador vivenciou de perto o sofrimento de pacientes deste tipo de patologia, pois sua mulher faleceu em 2017 após vinte anos enfrentando o Parkinson; “É tão devastador… Não há nada o que fazer, somente vê-se um ente querido desaparecer diante de seus olhos”.

“Teremos que depender do apoio governamental e da filantropia privada, do contrário não haverá avanços”, garante o americano, que confia no apoio privado, pois reconhece que os governos “só podem chegar até certo ponto”.

Neste sentido, ele vê um grande interesse pela pesquisa sobre este tipo de doença por parte de pessoas “muito ricas”, como o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, o cofundador do Google, Sergey Brin, e o cofundador da Microsoft, Bill Gates

Segundo ele “atualmente há bastante riqueza privada destinada às doenças neurodegenerativas”, enfermidades que “cada vez mais afetarão uma parcela maior da população”.

Schekman crê que há políticos que levam a sério a pesquisa médica, dado como exemplo que, apesar das “propostas orçamentárias tão duras” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o congresso americano “as derrubou e aumentou o financiamento do Instituto Nacional de Saúde”.

Entretanto, ele critica o fato de que o Governo Trump “não tem política alguma a respeito”, se mostrando um “antagonista à ciência em geral”, que tem “uma atitude anti-intelectual” a respeito de assuntos como a mudança climática e o meio-ambiente.

O biólogo disse que Trump é “um ignorante”, que não tem “nenhum tipo de conhecimento e nem é capaz de simplesmente apreciar a ciência ou os fatos”; “Não há nenhum tipo de compreensão nem de respeito à ciência por parte de Trump”, critica.

Sobre a tendência demonstrada, em algumas famílias, de não vacinar os filhos, ele alertou que lhe parece “uma loucura”, e considera que se trata de “ignorância”, pois este tipo de decisão se “fundamentam em noções errôneas sobre as origens de algumas doenças”.

Schekman explica que a origem deste movimento data de 25 anos, quando um médico inglês publicou um artigo em uma revista científica clínica que dizia que a imunização causava autismo, e lamentou que, embora se haja provado que isso não era verdade e que os dados haviam sido manipulados, essa corrente ainda se mantém.

Com relação à homeopatia, ele considerou ser “magia”: “É desejar que as coisas sejam como não são”, afirmou ele, que observou que, após a popularização da homeopatia, existe todo “um negócio milionário que se fundamenta em absolutamente nada”.

Ele finaliza dizendo que considera “impossível” prever qual será o próximo grande avanço médico e que isso é justamente “a beleza da ciência”: “Ocorrerá, mas poucos serão capazes de prevê-lo”, indicou o biólogo que foi agraciado com o Nobel de Medicina, juntamente a outros dois pesquisadores, por suas descobertas sobre o mecanismo que regula o trânsito vesicular.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

EFEEmprende_BannerV2-2

EFEEmprende_BannerV2-2

Login

Registrar | Perdeu sua senha?