Voluntários levam saúde ao coração da Amazônia

Aliança entre o governo brasileiro e médicos voluntários leva assistência de saúde aos cantos mais remotos da Amazônia para aliviar o isolamento de comunidades de índios e pescadores.

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Uma aliança entre o governo brasileiro e médicos voluntários, com a tarefa de levar assistência de saúde aos cantos mais remotos da Amazônia para aliviar o isolamento em que vivem comunidades de índios e pescadores.

Em tempos de crise fiscal, com menos recursos e pouca capacidade de investimento, o governo reforçou uma sociedade com a organização Expedicionários da Saúde (EDS), que reúne médicos voluntários dispostos a mergulhar nos rincões do país.

Atendimento a índios isolados

Uma dessas iniciativas está sendo desenvolvida durante este mês em Içana, aldeia na região do Alto do Rio Negro, a 150 quilômetros de São Gabriel da Cachoeira, a cidade mais próxima dessa comunidade amazônica por uma densa floresta quase inexplorada.

“Muitas das pessoas que atendemos em Içana são índios que vivem isolados e só têm contato com outras tribos”, disse a coordenadora da EDS, Márcia Abdala.

A aldeia tem 500 habitantes, a maioria da etnia tariana, mas o cacique Gracindo explicou que nos últimos dias chegaram até ali centenas de índios e pescadores que vivem em outras comunidades da região em busca de atendimento médico.

EFE/Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Na primeira das duas semanas que durará esta expedição, os 70 médicos que foram à Içana pela EDS atenderam 800 pessoas, das quais 165 foram submetidas a cirurgias ambulatoriais, a maior parte por hérnias, cataratas e tratamentos dentários.

As filas em frente às tendas do hospital de campanha montado na aldeia aumentavam dia a dia, e as pessoas da Amazônia chegavam até essa aldeia, isolada por terra, em barcos, botes e pequenos aviões, nesse último caso fornecidos pelo Ministério da Saúde e o Exército brasileiro, que também participa na iniciativa.

Embora todo o processo estivesse ocorrendo com tranquilidade, com somente algumas queixas por algumas demoras no atendimento ou pelo “abandono” do governo.

“Agora estão fazendo um grande trabalho, que tomara que se mantenha e que a histórica omissão do poder público com as populações amazônicas acabe”, disse Almerinda Ramos, diretora da Federação de Organizações Indígenas do Alto Rio Negro.

Parceria quer reduzir mortalidade infantil

O ministro Ricardo Barros explicou que a parceria com a EDS, que pretende ampliar a outras ONGs, é considerada um elemento-chave para remediar essa situação e também para atingir a meta de reduzir pelo menos em 20% a taxa de mortalidade infantil, entre crianças de até cinco anos nas comunidades indígenas até 2019.

Atualmente, em parte pelo isolamento em que vivem muitos dos índios que habitam a Amazônia, esse índice é de 31,28 mortes a cada 1.000 nascidos vivos, “um contraste dramático com a média nacional”, de 13,8 cada 1.000, disse o Ministério da Saúde.

A maior parte das mortes de bebês indígenas ocorre no primeiro mês de vida, e em 65% de “males evitáveis”, como infecções, doenças respiratórias e desnutrição.

Atendimento no leito do rio

Para reforçar esse objetivo, o Ministério da Saúde entregou esta semana em Manaus cinco embarcações-hospitais que atenderão as comunidades indígenas da bacia do rio Amazonas.

Os barcos, de 22 metros de comprimento e sete de largura, estão equipados para fornecer atenção primária e, distribuídos em seus dois andares, salas para análise e até de cirurgia para a realização de procedimentos mais simples.

As embarcações custaram R$ 12,2 milhões, e mantê-los em operações custará cerca de R$ 100 mil. “É possível manter o investimento se a despesa for dirigido da forma correta”, disse Barros, que insistiu que os cortes do orçamento público promovidos pelo governo do presidente Michel Temer não afetarão a área da saúde.

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