AIDS

Um lugar chamado “lar” para os órfãos com aids no Quênia

Orfanato Nyumbani tenta oferecer a mais de cem órfãos soropositivos um lugar para se refugiar, onde todos sabem quem são e o que necessitam: remédios, comida e uma família.

  • mas infoXSM004 NAIROBI (KENIA) 01.12.08 Un grupo de niños participa en una campaña de concienciación sobre el sida, en Kibera, Nairobi (Kenia), el 1 de diciembre de 2008. Hoy se celebra en todo el mundo el Día contra el Sida. Las últimas encuestas revelan que dos tercios de los adultos kenianos enfermos de sida están casados o viviendo con sus parejas, y que en una de cada diez matrimonios, al menos uno de los cónyuges porta el virus. EFE/Stephen Morrison Foto: EFE/Stephen Morrison Foto: EFE/Stephen Morrison
 Foto: EFE/Stephen Morrison

Um lugar para se refugiar, onde todos sabem quem são e o que necessitam: remédios, comida e uma família. Isso é o que o orfanato Nyumbani tenta oferecer a mais de cem órfãos soropositivos, que possuem entre dois e 25 anos.

Em 1982, o padre Angelo D’Agostino fundou o que seria a primeira “casa” (em suajili, “nyumbani” significa lar) para três crianças órfãs, abandonadas e portadoras do HIV. Agora já são 129 crianças.

No Quênia, dois milhões e meio de pessoas menores de 15 anos são órfãos e cerca de um milhão e meio estão nessa situação por causa da aids, segundo dados do Programa Nacional sobre a Aids e o Controle de Doenças Sexualmente Transmissíveis (NASCOP, em inglês).

Cerca de uma em cada dez mulheres grávidas no Quênia está infectada com a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (aids), e uma de cada três mortes infantis ocorre em consequência do vírus.

Apesar destes dados, a situação no Quênia melhorou exponencialmente: as novas infecções de HIV caíram 15% nos últimos cinco anos, e das 170 mil mortes por aids ocorridas em 2002, houve uma queda para 58 mil em 2013, segundo dados do Programa das Nações Unidas para a Luta contra a Aids (Unaids) .

Embora o Quênia tenha se comprometido a eliminar a transmissão materno-infantil de HIV para 2015, o contágio de mães para os bebês se manteve estável em 14% durante os últimos três anos. E se a mãe morre, muitas crianças são abandonadas pela própria família.

Cerca de 70% das crianças em Nyumbani têm algum parente, mas que “não querem saber nada deles”, ou não podem se permitir a cuidá-los.

É o caso de Paul, um jovem magérrimo e com sinais de uma desnutrição infantil que o marcará para toda a vida e que chegou a Nyumbani há “tanto tempo” que nem se recorda.

Sua mãe morreu e seu pai não queria saber dele, portanto sua avó o deixou aos cuidados desta associação, que é mantida por doações internacionais.

O orfanato Nyumbani é um dos poucos que acolhe exclusivamente órfãos com aids e oferece “comida, remédios e um ambiente de aceitação total”, segundo explicou à Agência Efe Protus Lumiti, diretor da casa em Nairóbi.

No Quênia, as crianças que nascem soropositivas enfrentam um estigma difícil de superar e que vêm de longe. Em uma sociedade como a queniana, altamente puritana, ter aids era visto como fruto de uma conduta imoral, um tabu relacionado com a sexualidade.

Esse estigma era sofrido inclusive pelas crianças. Lumiti conta que até 2003 as crianças do orfanato não eram aceitas em escolas públicas porque “infectariam outros”.

Atualmente, as crianças não são obrigadas a revelar sua condição a seus companheiros. “É difícil manter os amigos se dissermos a verdade”, contou Paul. “Não sabem muito bem o que é a aids”.

Eles mesmos, a princípio, desconhecem sua condição, não sabem muito bem “o que têm”. Desde pequeninos começam a se questionar: “Por que tomo remédios? Por que estou aqui? O que significa HIV?”.

Os médicos, professores, “mães” e “tios” (profissionais que vivem com eles nas casas de “Nyumbani” e que são sua família) dão as informações em pequenas doses.

Eles recebem aulas sobre higiene, o cuidado que têm que ter e o risco que existe de poder infectar outras pessoas.

Na adolescência começa a parte mais dura, asseguram, já que começam a se relacionar com outras pessoas e a planejar formar uma família. Esse é o momento no qual recebem explicação sobre as precauções que têm que tomar para fazer sexo.

Uma menina que vive no orfanato contou à Agência Efe que seu namorado a deixou quando ele insistiu em ter relações sexuais e ela se negou.

Na parte de trás de Nyumbani, junto a uma pequena horta que dá generosos tomates (e deliciosos, se orgulha Paul), está o cemitério.

“Agora, com remédios e os avanços médicos, já quase não temos mortes. Mas os mais velhos têm algum amigo aqui”, comentou Lumiti.

Mas Paul, pelo menos, seguirá adiante. “Não me envergonho do que sou. Aprendi a me apreciar, a ser forte e fazer algo com minha vida, não me isolar dos demais por esta condição com a qual tenho que viver”, concluiu.

Marcados com: , , , ,
Publicado em Saúde sexual

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?