AIDS

Resistência do HIV a tratamento padrão aumenta, segundo OMS

Segundo ela, eles podem se relacionar a qualidade dos serviços, a cobertura do atendimento, a taxa de infetados que abandonam o tratamento ou ao número de pessoas que se medica incorretamente.

  •  EFE/Jagadeesh Nv EFE/Jagadeesh Nv

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que observa uma tendência no aumento da resistência do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV), causador da Aids, aos tratamentos antirretrovirais mais comuns, conforme estudos realizados com um grupo de países da África e da América Latina.

“Esta situação ameaça os progressos globais no tratamento e na prevenção da infecção do HIV se não forem feitas ações rápidas e efetivas”, apontou o diretor do departamento de HIV da OMS, Gottfried Hirnschall, em coletiva de imprensa.

Ele explicou que a OMS recebeu dados de 11 países que avaliaram de forma específica a resistência aos antirretrovirais e em seis foram constatados que mais de 10% de casos apresentam este problema. Na América Latina os países são Argentina, Nicarágua e Guatemala. Na África, Namíbia, Uganda e Zimbábue.

Os outros países que apresentaram dados foram Brasil, México, Colômbia, Camarões e Mianmar, que junto aos seis anteriores são os primeiros a realizar o estudo conforme os critérios da OMS, mas o objetivo não é qualificar os países, principalmente levando em conta que há dados de um número muito pequeno de nações.

Segundo Hirnschall, a utilidade desta informação é o fato de a OMS recomendar a “revisão urgentemente dos programas de tratamento contra o HIV” quando o país apresenta uma incidência de mais de 10% de casos de resistência.

Sobre as razões para a resistência ser maior em uns países do que em outros, a especialista da Unidade de Tratamento e Atenção ao HIV da OMS, Silvia Bertagnolio, explicou que só é possível dar argumentos “especulativos”.

Segundo ela, eles podem se relacionar a qualidade dos serviços, a cobertura do atendimento, a taxa de infetados que abandonam o tratamento ou ao número de pessoas que se medica incorretamente.

Conforme os dados obtidos pela OMS, entre os seis países que contam com bases completas para analisar o nível de resistência, a Nicarágua – seguida de Guatemala (13%) e Argentina (10,9%) – é o que apresenta a maior incidência, com 19% de casos de HIV resistentes ao tratamento mais comum.

Para Brasil, México e Colômbia o relatório da OMS não oferece dados conclusivos, já que estes três países não coletaram informações de pacientes que abandonaram o tratamento e voltaram depois.

“Isso torna mais difícil a comparação com os outros países latino-americanos citados”, explicou Hirnschall à Efe.

Os especialistas destacaram que de fora alguma esta lista representa os únicos ou mais afetados por esta situação e é necessário que outros países enviem as avaliações nacionais.

A resistência ao HIV acontece quando o infetado não respeita o plano de tratamento, na maioria de casos porque não tem acesso ao atendimento médico adequado. Esse vírus resistente, por causa das mutações sofridas, pode ser transmitido para outras pessoas.

Nesses casos, o nível do vírus no sangue multiplica, a menos que passe para um tratamento mais complexo, que costuma ser muito mais caro e de difícil acesso em alguns países.

Estimativas recentes indicam que 36,7 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV no mundo, sendo que 19,5 milhões têm acesso a tratamentos antirretrovirais. No Brasil, 830 mil tem o vírus da Aids.

“A maioria destas pessoas responde bem ao tratamento e conseguem conter o vírus”, afirmou Hirnschal.
Segundo Silvia, o problema da resistência aos tratamentos pode facilmente levar a mais infecções e mortes por Aids.

“Os modelos matemáticos elaborados mostram que podem existir 135 mil óbitos e 105 mil novas infecções nos próximos cinco anos caso este problema não seja enfrentado”, indicou.

O custo calculado é de US$ 650 milhões extras no mesmo período.

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Publicado em Saúde sexual

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