EBOLA NO MUNDO

Relatório de ONG indica que cerca de 30 países são vulneráveis ao ebola

Quase 30 países que possuem sistemas de saúde precários estão expostos a epidemias parecidas com a do ebola, é a conclusão de um relatório divulgado nesta terça-feira pela ONG Save the Children.

  • mas infoMON03 MONROVIA (LIBERIA) 07/08/2014.- Fotografía facilitada hoy, jueves 7 de agosto de 2014 que muestra a un enfermero liberiano mientras trabaja en la retirada y entierro de una víctima del ébola en la comunidad de Virginia, a las afueras de Monrovia (Liberia) ayer. Liberia afronta hoy el estado de emergencia declarado anoche por su presidenta, Ellen Johnson Sirleaf, para contener la epidemia de ébola, que ha causado ya en ese país la muerte de más de 280 personas. EFE/Ahmed JallanzoFoto: EFE/Ahmed JallanzoFoto: EFE/Ahmed Jallanzo
Foto: EFE/Ahmed Jallanzo

 Quase 30 países que possuem sistemas de saúde precários estão expostos a epidemias parecidas com a do ebola, é a conclusão de um relatório divulgado nesta terça-feira pela ONG Save the Children.

No documento, a ONG elabora uma lista com os 72 países com os piores sistemas de saúde pública do mundo, medindo fatores como a proporção de profissionais em relação à população e a taxa de mortalidade de recém-nascidos, um indicador efetivo do estado do atendimento médico.

Segundo esse ranking, o Brasil está no topo da lista como o país que tem o melhor atendimento médico entre essas 72 nações, enquanto no último lugar está a Somália, que tem o sistema de saúdemais precário do mundo.

Entre os últimos estão Chade (71), Nigéria (70), Afeganistão (69), Haiti (68), Etiópia (67) e República Centro Africana (66), enquanto a Índia ocupa o 55º lugar e a China o 12º.

Logo após o Brasil estão Quirguistão, Uzbequistão, Azerbaijão e Egito.

A Save the Children aponta que existem pelo menos 28 países com sistemas de saúde piores do que o da Libéria (44), que foi um dos territórios mais afetados pelo ebola, junto com Serra Leoa (46) e Guiné (65), com um total de 9.365 mortes.

Isso significa que esses países são vulneráveis e estão muito expostos caso ocorra uma propagação do ebola ou outra epidemia similar, o que, segundo a ONG, é provável devido aos deslocamentos maiores e mais constantes entre as populações dos diferentes lugares e pelo surgimento das zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos).

Relatório  

No relatório, um dos descobridores do ebola, o microbiólogo belga Peter Piot, diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, apoia o pedido da Save the Children por mais investimentos financeiros para fortalecer os sistemas de saúde dos países pobres, para o acesso universal.

“Devido ao surgimento futuro de doenças infecciosas, e também por todas as mortes e doenças desnecessárias que ocorrem todos os dias e passam despercebidas, temos a responsabilidade de capacitar e dar suporte para sistemas de saúde funcionais e resistentes em todo o planeta”, afirma o especialista.

A Save the Children estima que o custo da operação para conter o ebola na África Ocidental chega a US$ 4,3 bilhões. No entanto, segundo seus cálculos, uma melhora nos sistemas de saúde desses países teria custado US$ 1,58 bilhão.

Em seu relatório, a ONG também inclui, para efeitos de comparação, uma lista dos países com o melhor atendimento médico do mundo, na qual, de um total de dez, a Austrália figura em primeiro lugar, seguida por Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Noruega.

A Espanha ocupa o sétimo lugar, seguida por Suécia, Reino Unido e Estados Unidos.

Antes da realização nesta terça-feira de uma cúpula sobre o ebola em Bruxelas, a Save the Children pede aos líderes mundiais que “aprendam com as lições da epidemia” na África Ocidental.

“Um sistema de saúde mais forte conseguiria conter o ebola em sua raiz, salvando a vida de milhões de crianças e economizando milhões”, afirma a organização, que pede o envolvimento de entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A ONG pede aos governantes que, além de reconstruir os sistemas de saúde de Libéria, Serra Leoa e Guiné, se comprometam a criar uma cobertura sanitária universal em todos os países e que os Estados destinem, pelo menos, 15% de seu orçamento nacional à saúde.

Além disso, propõe que os novos objetivos de desenvolvimento sustentável, que substituirão os Objetivos do Milênio e serão discutidos na ONU em setembro, incluam o compromisso de promover uma cobertura de saúde universal, e que os líderes mundiais se comprometam a acabar com as mortes evitáveis de mulheres, recém-nascidos e crianças até 2030.

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Publicado em Doenças e Tratamentos

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