Malária

Relatório da OMS aponta para estagnação na luta contra malária

No ano passado foram investidos cerca de US$ 2,7 bilhões na luta contra a doença, um número que se manteve mais ou menos estável nos últimos sete anos

  • mas infoEnfermos recebem tratamento contra a Malária em Mumbai, Índia. EFE/Divyakant SolankiEnfermos recebem tratamento contra a Malária em Mumbai, Índia. EFE/Divyakant SolankiEnfermos recebem tratamento contra a Malária em Mumbai, Índia. EFE/Divyakant Solanki
Enfermos recebem tratamento contra a Malária em Mumbai, Índia. EFE/Divyakant Solanki

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta quarta-feira que os progressos feitos contra a malária estagnaram em 2016, com quase o mesmo número de casos e mortes que no ano prévio.

Após mais de uma década de progressos históricos, o relatório apresentado hoje em Nova Délhi representa, de acordo com a OMS, uma primeira “chamada de atenção” sobre a situação desta doença.

“A história da malária é muito clara, quando se deixa de pedalar, não somente deixamos de avançar como regredimos e, portanto, vemos isso tudo com preocupação”, reconheceu em declarações à Agência Efe o diretor do Programa de Malária da OMS, Pedro Alonso, que liderou hoje na capital indiana a apresentação do relatório.

“Este ano representa um ponto de inflexão, já não é uma mensagem clara, inequívoca de progresso, estamos falando de estagnação e em alguns países, não poucos, retrocessos”, alertou.

Os números relativos a 2016, explicou, são “muito similares” aos de 2015.

No ano passado foram registrados 216 milhões de casos de malária, cerca de 2% a mais que no ano prévio, quando estima-se que houve 211 milhões de doentes de malária.

A grande maioria dos casos, 90%, estão concentrados na região africana.

Também quase não variou o número de mortos por causa da doença: cerca de 445 mil, em comparação com os 446 mil estimados em 2015, uma redução que se estendeu por todas as regiões com exceção do Mediterrâneo Oriental, onde a taxa de mortalidade se manteve igual.

80% das mortes se concentraram em 14 países da África Subsaariana e na Índia, segundo o relatório.

“O progresso parou, não quer dizer ainda que estejamos indo para trás, mas certamente depois de uma década ou quase 15 anos de progressos contínuos e realmente históricos, em termos de casos de malária e em termos de mortes por malária já não estamos vendo mais progresso”, advertiu Alonso.

Para o especialista, esta falta de avanços constitui “uma primeira chamada de atenção”.

No entanto, o relatório também destaca alguns pontos positivos.

Em 2016, ano em que dois países, Quirguistão e Sri Lanka, foram certificados pela OMS como livres de malária, também aumentou o número de nações que avançaram para a eliminação do mal, com o registro de menos de 10 mil casos da doença em 44 países.

No ano prévio, apenas 37 países tinham reportado um número abaixo dessa marca.

“A esperança é que há alguns países que seguiram melhorando de forma intensa, o número de países que estão se aproximando da eliminação segue crescendo e os sistemas de vigilância epidemiológica continuam melhorando “, enumerou.

Os números também melhoram se for feita uma comparação com o ano de referência, 2010. Desde então, a incidência da malária (o número de casos novos entre as populações em risco) caiu 18% no mundo todo ao passar de 76 a 63 casos por cada mil habitantes em risco.

Por regiões, a Ásia Sudeste registrou a maior queda na incidência, com 48% a menos que em 2010, enquanto na América e na África houve queda de 22% e 20%, respectivamente.

A estagnação no financiamento da luta contra a malária é uma das principais causas para a falta de progressos, segundo a OMS.

No ano passado foram investidos cerca de US$ 2,7 bilhões na luta contra a doença, um número que se manteve mais ou menos estável nos últimos sete anos, mas que está “longe” de ser suficiente para conseguir os objetivos a Estratégia Técnica Mundial para o Paludismo 2016-2030.

A estratégia propõe, entre outras coisas, reduzir a incidência de casos e mortalidade em 40% em comparação com 2015, mas para isso falta um aumento no financiamento anual de US$ 6,5 bilhões por ano para 2020.

Se a quantia destinada a controlar a malária tem se mantido estável, paralelamente ocorreu um crescimento demográfico, por isso que “o investimento per capita diminuiu em uma grande parte dos países”, disse Alonso.

Entre outros obstáculos, a OMS destacou também em seu estudo os conflitos que atingem várias zonas onde a malária é endêmica e padrões climáticos “anômalos”.
Se for mantido o mesmo nível de financiamento, Alonso acredita que para 2017 seguiremos sem ter “progresso”.

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Publicado em Ciência Médica     Doenças e Tratamentos

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