Obesidade

Reduzir açúcar não é antídoto contra obesidade, diz especialista colombiano

O consumo de açúcar exagerado de açúcar pode não ser um aliado à boa saúde, como diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas a redução recomenda pela entidade também pode ter pouca incidência no combate à grave epidemia de obesidade que atinge o mundo moderno.

  • mas infoCHE07 CHENNAI (INDIA) 05/12/2009.- Un muchacho con sobrepeso participan en una manifestación convocada por la Fundación contra la Obesidad de la India en la playa de Marina en Chennai (India) hoy, sábado, 5 de diciembre de 2009, para concienciar a la sociedad sobre los peligros de la obesidad bajo el lema "La obesidad es un peligro para la salud". La Organización Mundial de la Salud señaló que 1.200 millones de personas en todo el mundo sufren de sobrepeso y particularmente en la India más del 25 por ciento de la población sufre este problema. EFE/Nathan G. EFE/Nathan G. EFE/Nathan G.
 EFE/Nathan G.

O consumo de açúcar exagerado de açúcar pode não ser um aliado à boa saúde, como diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas a redução recomenda pela entidade também pode ter pouca incidência no combate à grave epidemia de obesidade que atinge o mundo moderno, pelo menos essa é a opinião do médico colombiano com doutorado em medicina do esporte John Duperly.

“O culpado da obesidade é o sedentarismo, fruto da industrialização, não o açúcar”, sintetiza em entrevista à Agência Efe.

Sua posição aparece na mesma semana em que a OMS recomendou que a ingestão de açúcar fosse menor do que 10% do total de calorias consumidas por dia e sugeriu uma diminuição a menos de 5% para os que desejem benefícios adicionais à saúde. As diretrizes da entidade da ONU pretendem orientar os governos sobre como controlar problemas de saúde pública, no caso do açúcar, à obesidade e o aparecimento de cáries.

Duperly, em contrapartida, é descrente sobre os possíveis resultados positivos desta decisão da OMS no que diz respeito aos problemas de sobrepeso e obesidade, aumentando a incidência de doenças como o diabetes e a hipertensão.

Na América Latina, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), 23% dos adultos são obesos e 38% têm sobrepeso. Nos Estados Unidos, de acordo com os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, quase dois terços da população têm sobrepeso e mais de 30% é obesa.

Ao anunciar na quarta-feira a nova recomendação, Francesco Branca, diretor do departamento de Nutrição e Saúde da OMS, disse que 10% de todas as mortes no mundo estão relacionadas a uma dieta não equilibrada.

“Não sabemos exatamente qual é a incidência direta dos açúcares, mas sabemos que é muito grande”, declarou Francesco Branca.

Para Duperly, a recomendação da OMS encerra apenas “verdades parciais” e está baseada em evidências científicas sobre a relação do consumo de açúcar com a obesidade que em sua maioria são de “níveis intermédio ou baixo”.

“É um enorme erro pensar que é possível resolver o problema da obesidade apontando apenas para 10% da ingestão diária de calorias de uma pessoa, que em média é de 2 mil”, argumenta.

O médico lembra que na Austrália há campanhas voltadas para a redução do consumo de açúcar há anos, mas o país continua registrando casos de obesidade. Nos Estados Unidos o consumo de calorias não aumentou nas últimas décadas, contudo o número de pessoas obesas não para de subir.

“No caso da obesidade, a causa não está fundamentada na comida, mas sim no sedentarismo”, ressalta ele, que há 25 anos trata pessoas obesas e atletas.

A chave para derrotar a obesidade não é diminuir a ingestão de açúcar ou de qualquer outra fonte de caloria, mas aumentar a quantidade de exercícios diários para queimar gorduras e não acumular excedentes calóricos, que são muito difíceis de eliminar.

“Um quilo de peso corporal hospedado, por exemplo, na barriga (os pneuzinhos) tem 7 mil calorias guardadas”, informa.

O ideal é fazer uma hora ou mais de exercício por dia e, no caso de uma pessoa de peso normal, consumir 1.500 calorias diárias e gastar todas em atividades físicas.

De acordo com ele, culpar o açúcar pelo excesso de peso é o mesmo que culpar a “Microsoft ou a Ford por permitir que as pessoas se movimentem cada vez menos”.

O Conselho Internacional de Associações de Bebidas (ICBA), que reúne às grandes marcas de refrigerantes entre outras empresas, rejeitou a recomendação da OMS por considerar que “não reflete um consenso científico sobre a totalidade da evidência”.

Já a Action on Sugar, uma ONG apoiada por acadêmicos de universidades britânicas, considerou que “não há necessidade nutricional de incluir açúcares livres na dieta” e, se mostrou decepcionada com a OMS por não ter elevado à categoria de “recomendação firme” a redução da ingestão de açúcar a 5% do total de calorias, já que o produto “prejudica a saúde”.

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Publicado em Nutrição

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