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Redução do açúcar nos alimentos deve ampliar qualidade de vida do brasileiro

Consumo excessivo de açúcar aliado aos sedentarismo são os principais geradores de problemas de saúde, como a obesidade

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EFE/Marcelo Sayão

O pacto já existente entre o Ministério da Saúde e a ABIA (Associação Brasileira de Indústrias Alimentícias), para diminuição da quantidade de sódio nos alimentos, será estendido, no segundo semestre deste ano, ao açúcar presente em produtos como refrigerantes, bebidas lácteas e achocolatados.

Segundo revelou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, em evento realizado nesta semana em São Paulo, o acordo será focado nos alimentos destinados, principalmente, a crianças e adolescentes e tem como meta estabilizar os índices de obesidade no país.

“Queremos reduzir as taxas de pessoas obesas e acima do peso, problemas que vêm aumentando em todo o mundo e que acarretam em diversos malefícios à saúde”, afirmou. “Como os brasileiros, em especial os mais jovens, consomem quantidades de açúcar acima das recomendadas, vamos investir, juntamente com a ABIA, nessa frente”.

A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para o consumo de açúcar equivale a 10% do fornecimento total de calorias, limitando-se a 18 quilos por pessoa anualmente. Conforme dados da ABIA, o brasileiro ultrapassa os dois índices, consumindo cerca de 30 quilos de açúcar por ano, o que equivale a 18% do total de calorias ingeridas.

Além disso, uma dieta excessivamente doce é responsável por cerca de 26% dos casos de excesso de peso, 60% dos de obesidade, 14% dos de hipertensão e 61% dos de diabetes.

Com a ação, o governo pretende reduzir em até 30% a quantidade de açúcares em bebidas adoçadas, como refrigerantes e sucos artificiais. Junto com o acordo, outras iniciativas devem auxiliar no equilíbrio ao consumir, como a padronização de dosadores e a proibição dos refis de refrigerante, presentes em redes de fast-foods.

Educação alimentar

A participação dos alimentos industrializados, entretanto, na falta de equilíbrio no consumo de açúcar, não é a mais importante. Embora esses produtos mascarem o componente ao consumidor final, estima-se que 56% do açúcar consumido no Brasil equivalha à adição caseira, realizada pelo próprio consumidor, enquanto 19% remete ao açúcar posto pela indústria.

“Existe um exagero quando se fala da vilanzação, tanto do consumo de açúcar como da participação da indústria nesse consumo”, argumenta o presidente da ABIA, Edmundo Klotz. “Por um lado, o açícar é uma substância essencial para o metabolismo humano, quando consumido de forma equilibrada. Por outro, a grande fatia consumida provém da adição caseira em doces, por exemplo”.

A população em geral também não tem muita consciência do açúcar presente em sua alimentação. De acordo com pesquisa apresentada pelo cardiologista Daniel Magnoni, do Instituto Dante Pazzanese, poucas pessoas interpretam os rótulos de embalagens e muitas têm dificuldade em perceber o açúcar na dieta.

“Apenas 36% dos pesquisados afirmavam ler os rótulos de alimentos industrializados e, dentre eles, um a cada quatro sabiam interpretar essas informações”, conta. “Por outro lado, quando perguntados sobre o que é o açúcar em suas dietas, 85% dos entrevistados declararam ser apenas o produto branco já pronto para adição”.

Outra constatação da pesquisa foi a de que a prática de atividades físicas reduz possíveis malefícios do consumo excessivo de açúcar, embora a melhor alternativa para a saúde seja a combinação de exercícios com uma alimentação saudável.

Atividade física

Embora o excesso no consumo de açúcar seja algo a ser combatido, ele não é a principal causa da verdadeira epidemia de obesidade que vive o mundo. Segundo o preparador físico Márcio Atalla, o sedentarismo provocado pelo mundo moderno é o que tem afetado a saúde da população nesse sentido.

“Nos últimos 10 anos, as pessoas têm se alimentado de forma mais saudável, reduzindo, inclusive, a quantidade de calorias consumidas. Entretanto, os índices de obesidade aumentam a cada ano, no mundo todo”, argumenta.

Atalla acredita ainda que a saída não é proibir determinados alimentos, mas agir no sentido de educar a população a ter uma vida saudável e equilibrada, que inclua o movimento do corpo.

“Informar é mais eficiente do que proibir. Hoje existe um foco excessivo em achar vilões da alimentação. Antes eram o glúten e o ovo, agora a bola da vez é o açúcar”, declarou.

O não-radicalismo também vem sendo característica do tema no Congresso Brasileiro. Para o presidente da frente parlamentar de combate à obesidade infanto-juvenil, deputado Evandro Roman, o problema exige uma união de ações, não se limitando apenas à alimentação.

“Culpar apenas o açúcar, sem propor mudanças no estilo de vida, é como enxugar gelo”, finaliza.

Publicado em Nutrição     Saúde e Bem-estar

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