Quase metade dos portadores do HIV não sabem que têm o vírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que pelo menos 40% de portadores do HIV não sabem que têm o vírus.

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 EFE/Jagadeesh Nv

Pelo menos 40% de portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), cerca de 14 milhões de pessoas, não sabem de sua condição, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma das razões apontadas é a dificuldade de acesso a serviços de diagnóstico em alguns lugares do planeta.

Saber para se cuidar

Segundo os últimos dados da OMS, mais de 18 milhões de soropositivos não têm acesso a tratamentos com remédios antirretrovirais e 14 milhões não sabem que são portadores do vírus, situação que é especialmente preocupante na África Central e Ocidental.

“Milhões de pessoas que têm o HIV não se beneficiam do tratamento indispensável que, igualmente, pode impedir que transmitam o vírus a outras”, afirmou a diretora geral da OMS, Margaret Chan.

Autodiagnóstico do HIV

A organização optou por promover o autodiagnóstico, que pode ser realizado pela própria pessoa com um pouco de saliva ou com uma gota de sangue. Isso permite que elas saibam de sua situação de maneira privada, em um lugar confortável, e com o resultado em apenas 20 minutos.

Em caso de resultado positivo, a OMS aconselha que a pessoa vá a um centro médico para confirmar o diagnóstico e já receber aconselhamento e orientação rápida sobre os serviços de prevenção e tratamento.

“Obter um resultado negativo não indica ausência do HIV se houve exposição recente, já que os anticorpos do vírus levam até seis semanas para se desenvolver”, destacou a coordenadora de prevenção do programa mundial da aids da OMS, Rachel Baggalery. Nos últimos 10 anos, o percentual de pessoas que sabem ter HIV passou de 12% a 40% em escala mundial.

Homens se cuidam menos

O diagnóstico do HIV depende em alguns casos do grupo da população. De maneira geral é mais comum que as mulheres sejam diagnosticadas – e, em consequência, recebam tratamento – do que os homens.

Segundo a OMS, só 30% dos que fizeram um teste de diagnóstico são homens.

As taxas de diagnóstico são baixas entre homens que têm relações sexuais com outros homens, os trabalhadores e trabalhadoras sexuais, transgênero, usuários de drogas injetáveis e detentos, exatamente os principais grupos de risco.

Estes grupos representam 44% do 1,9 milhão de novas infecções por HIV que acontecem a cada ano.

Mais testes em países africanos

Com a promoção de pacotes de autodiagnóstico e a elaboração de recomendações sobre seu uso, a OMS procura regular este tipo de teste – disponíveis em farmácias de alguns países, como os Estados Unidos, ou pela internet – e encorajar os governos a apostarem neles para aumentar o número de diagnósticos.

A OMS avalia que a maior demanda por estes testes poderia diminuir seu preço, que atualmente oscila entre US$ 20 e US$ 40.

O enfoque do autodiagnóstico é particularmente importante em lugares onde há dificuldade de acesso ao serviço comum, por isso decidiu começar a distribuir o teste no Zimbábue, na Zâmbia e no Malawi. Nos últimos quatro meses esses três países receberam 125 mil pacotes de diagnóstico, que incluem os testes oral e de sangue.

Esta experiência, que a OMS planeja estender a outros países, como o Quênia e a África do Sul, mostrou que “pessoas que normalmente não fariam um teste, como podem ser homens em geral e os jovens, são mais suscetíveis a fazê-lo”.

No Brasil

No país, 827 mil pessoas são portadoras do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV), e 112 mil não sabem que têm a doença, e 260 mil sabem, mas não se tratam.

Segundo o Ministério da Saúde, dos 827 mil portadores do HIV que o Brasil tem, 455 mil recebem tratamento contra a doença e o restante não sabe ou não quer se tratar.

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