EMAGRECIMENTO

Pílulas emagrecedoras: A beleza enfim entende que não há milagres

As pílulas muitas vezes são produtos procedentes da China vendíveis em farmácias sem necessidade de receitas ou via venda telefônica.

  • EFE/Jorge NúñezEFE/Jorge Núñez
EFE/Jorge Núñez

As chamadas pílulas milagre, cada vez mais presentes e acessíveis para todos, seguem criando adeptos e gerando consequências nocivas para a saúde com o apoio de uma sociedade que fundamenta a sua beleza e saúde sobre resultados imediatos.

“Para a nutrição não há milagres “, expressa a Efe a nutricionista Amelia Aldana, acabando com as esperanças de muitos consumidores destes produtos que não têm registro sanitário e oferecem propriedades terapêuticas.

“Se pensa que sim é porquê a publicidade o faz sentir assim”, explica, relacionando o fato com a desespero das pessoas por alcançar algumas condições de saúde ou de estética determinada.

No México, sete de cada 10 adultos padecem obesidade, algo que para a especialista “está fazendo com que as pessoas busquem desesperadamente como emagrecer”.

Acredita que, a partir de uma conscientização, “se está entendendo que a obesidade é uma doença ” e por isso “está buscando perder peso por saúde”.

Uma paciente sua, que falou com Efe sob condição de anonimato, e que experimentou as pílulas há algum tempo, não parece ter a mesma opinião. “É uma questão estética “, bate o martelo.

“Se fosse uma questão de saúde, eu iria ao médico e mudaria meus hábitos”, explica a paciente, quem teve complexo pela sua condição desde a infância.

Antes de tomar as pílulas, passou por 15 tratamentos que implicavam a médicos e nutricionistas especializados, sem resultados favoráveis.

Não ver perdas imediatas a inclinou a optar pelas pílulas milagre, aconselhada por um familiar.

As pílulas muitas vezes são produtos procedentes da China vendíveis em farmácias sem necessidade de receitas ou via venda telefônica. “As pessoas não sabe nem o que estão tomando “, afirma Aldana.

“Eram uma pastilha azul e outra vermelha. As caixas tinham um desenho que mostrava uma pessoa emagrecendo ao lado de ideogramas chineses”, essa é toda a informação que o fármaco apresenta à paciente.

“Existia o rumor que uma amiga da minha tia as pesquisou e eram pastilhas boas “, disse, e isto é tudo o que precisou para que eu confiasse nelas.

O caso de Lucero Priscila Garza, uma jovem 24 anos que morreu no começo deste mês por complicações registradas após o consumo do produto Avitia Cobrax, com o qual buscava diminuir seu peso, suscitou os alarmes.

“Pelo desejo de emagrecer as pessoas fazem de tudo”, explica a nutricionista, quem roga às pessoas que não se deixem enganar por estes produtos oportunistas, já que ” os resultados e consequências são letais”.

O corpo se desidrata de maneira extrema assim que começamos a ingerir estes chamados remédios milagrosos, devido aos diuréticos presentes na sua composição, aponta.

Também se somam outros efeitos, como “arritmia cardíaca, a ansiedade e a insônia “.

Sua paciente ainda relata que não podia dormir pelas noites, e se mantinha com “uma sede insaciável”. Mesmo assim, mantinha-se contente, tinha perdido sete quilos em quatro meses.

Para a profissional da saúde, isto é uma confusão: “Perdem peso, mas porquê perdem água”.

Efetivamente, seu paciente, quando deixou de tomar as pílulas por causa de recorrente insônia e ansiedade, recuperou o peso perdido e inclusive aumentou alguns quilos.

Mas a especialista alerta aos efeitos a longo prazo: “Danos hepáticos e danos renais “, assegura.

 

 

Agora, após ter deixado de tomá-las, a paciente prioriza a sua saúde. “Hoje aos meus 38 anos faço as coisas por saúde”, está convencida de que não vai voltar a tomar as pastilhas.

A jovem representa um caso a mais de consumo destas ‘pílulas milagre’ que, após passar uma má experiência, compreende agora que a sua saúde está acima da sua beleza.

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