CÂNCER

Pesquisadores mexicanos criam nanopartícula que ativa células contra o câncer

Em um recente estudo, publicado na revista Nature Nanotechnology, a equipe observou uma redução de 70% a 80% no tamanho dos tumores em ratos que receberam a injeção da nanopartícula.

  • Intervenção artística para o Dia Internacional Contra o Câncer de Mama, na Cidade do México, em 2016. EFE/Jorge Núñez/ArquivoIntervenção artística para o Dia Internacional Contra o Câncer de Mama, na Cidade do México, em 2016. EFE/Jorge Núñez/Arquivo

Um grupo de pesquisadores mexicanos desenvolveu um novo tipo de nanopartícula que encolhe os tumores do câncer de mama e evita a recorrência da doença recrutando a todo o sistema imunológico.

Em um recente estudo, publicado na revista Nature Nanotechnology, a equipe observou uma redução de 70% a 80% no tamanho dos tumores em ratos que receberam a injeção da nanopartícula.

O que se destacou no estudo foi que os ratos tratados mostraram resistência à futura recorrência do tumor, inclusive após expô-los a células cancerosas um mês mais tarde.

Os resultados mostram que a nanopartícula provocou potentes respostas imunológicas contra o tumor do câncer de mama HER2+, que cresce agressivamente e se dissemina mais rápido que outros tumores.

“Neste estudo, foi assombroso descobrir que os animais tratados com estas nanopartículas mostraram um efeito duradouro contra o câncer”, comentou a doutora Betty Kim, pesquisadora principal do estudo, neurocirurgiã e neurocientista.

A especialista expôs que à diferença das imunoterapias anticancerígenas existentes, que apontam só para uma parte do sistema imunitário, “este nanomaterial, criado sob medida, se envolveu ativamente com todo o sistema para eliminar às células cancerígenas e atua como base para um sistema de ‘recordação’ que minimiza a recorrência”.

“Estas estruturas podem alargar-se para atacar diferentes tipos de câncer e novas doenças, incluindo transtornos neurodegenerativos e neurovasculares”, explicou.

A nanopartícula está coberta de anticorpos que atuam contra o HER2, molécula comum que se encontra em 40% dos casos de câncer de mama.

As moléculas aderidas à nanopartícula aceleram as células encarregadas da limpeza do corpo, conhecidas como macrófagos e fagócitos, pertencentes ao sistema imunológico.

O desenho da nanopartícula facilita a presença de um grande número de células imunológicas que atuam contra as cancerígenas.

Depois, estas células de limpeza podem informar sobre as células cancerosas às altamente especializadas células T do sistema imunológico, a fim de que ajudem a erradicar às células cancerosas restantes, e simultaneamente mantêm a lembrança dessas células para evitar a recorrência do câncer.

O estabelecimento de uma lembrança de luta contra a doença nas células é o que faz a nanopartícula similar a uma vacina contra o câncer, indicou o comunicado.

“Desenvolvemos uma nova plataforma que alcança células tumorais e ao mesmo tempo recruta ‘células de limpeza’ para obter uma potente resposta imunitária”, explicou a doutora Kim.

De acordo com a especialista, “esse método talvez abra novas portas para a criação de inovadoras imunoterapias baseadas na nanomedicina”.

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