SAÚDE PORTUGAL

Pesquisadores criam jogo eletrônico que ajuda a detectar demência em idosos

Os jogos funcionariam como “um teste de detecção precoce” que, mais tarde, teria que ser confirmado com um estudo neurológico mais profundo.

  • Especialistas trabalhando com um jogo eletrônico. EFEEspecialistas trabalhando com um jogo eletrônico. EFE
Especialistas trabalhando com um jogo eletrônico. EFE

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Coimbra desenvolveu um estudo para que, utilizando jogos eletrônicos, em especial um no qual os idosos têm que separar ovelhas de lobos, seja possível detectar se eles sofrem de algum tipo de déficit cognitivo.

Em declarações à Agência Efe, um dos responsáveis pela pesquisa, o engenheiro Licínio Roque, explicou que os jogos eletrônicos servem para “detectar se existe algum problema cognitivo”.

Roque, no entanto, deixou claro que o teste em forma de jogo ainda não serve para diagnosticar uma doença relacionada com a demência, mas representa “um aviso de que há algum problema”.

Assim, segundo o pesquisador, os jogos funcionariam como “um teste de detecção precoce” que, mais tarde, teria que ser confirmado com um estudo neurológico mais profundo.

A pesquisa, desenvolvida durante os últimos três anos com dois grupos de idosos de 50 anos, rendeu aos especialistas de Coimbra o prêmio de “Melhor Artigo Científico de 2017“, concedido pela Conferência Internacional sobre Computação de Entretenimento (ICEC, na sigla em inglês).

De acordo com Roque, no jogo de separar ovelhas de lobos são avaliados diferentes parâmetros de funções executivas, tais como a memória e a atenção através do reconhecimento visual.

No total, foram criados três jogos “muito simples” e, após sua aplicação, ficou comprovado que os resultados coincidem com os dados obtidos no teste de detecção precoce denominado Montreal Cognitive Assessement (MoCA), um dos mais utilizados em nível internacional.

O objetivo deste trabalho científico, no qual também participaram os professores de Coimbra Hélio Neto e Joaquim Cerejeira, demonstra que os jogos eletrônicos podem ser uma ferramenta auxiliar de diagnóstico em patologias relacionadas com a neuropsicologia.

“Os jogos podem, de forma menos estressante e mais atrativa, ser utilizados como indicadores substitutos para testes cognitivos”, comentou Roque.

Outro objetivo do trabalho científico é usar esses jogos eletrônicos para comprovar de forma rotineira o estado cognitivo dos pacientes e, assim, avaliar como eles respondem a determinados tratamentos aplicados pelo especialista em neurologia.

Atualmente, a detecção precoce das demências se transformou em um elemento essencial para atenuar os efeitos de doenças degenerativas do sistema nervoso, como o alzheimer.

Inclusive, neurologistas e neuropsicólogos de várias partes do mundo trabalham com diferentes ferramentas tecnológicas que simulam jogos de computador nos processos de tratamento para pacientes com demência em um estágio bastante inicial.

Esses programas de computador já passaram por uma análise científica muito completa que comprova sua idoneidade e que demonstra os benefícios que eles podem proporcionar aos pacientes que interagem com eles, seguindo as indicações do especialista.

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