Aids

Pesquisa uruguaia aproxima a busca pelo tratamento do HIV

Equipe de pesquisadores do Instituto Pasteur de Montevideo descobriu que o retrovírus de uma doença que afeta o gado bovino pode trazer melhorias na busca do tratamento do HIV.

  • mas infoepa000228079 (FILES) A files photograph showing a doctor testing the blood of an AIDS sufferer and HIV carrier in the Sexual Transmitted Desease & AIDS Prevention and Control Centre of Beijing You'an Hospital on 12 May 2004. Recently Chinese state council released a document on China HIV/AIDS Containment, Prevention and Control Action Plan. EPA/-Foto: EPAFoto: EPA
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Uma equipe de pesquisadores do Instituto Pasteur de Montevideo descobriu que o retrovírus de uma doença que afeta o gado bovino pode trazer também melhorias na busca do tratamento do HIV, disse ao Efesaúde  Otto Pritsch, um dos cientistas da equipe.

O objeto do estudo é a cápside, invólucro composto por proteínas que protege a informação genética de um vírus, no caso da leucemia bovina, sua configuração em que não era conhecida até o momento.

“A leucose bovina é uma doença infecciosa crônica causada por um retrovírus, o vírus da leucemia bovina (…) ‘primo’ do HIV”, disse Pritsch, doutor a cargo de um dos laboratórios onde aconteceu a pesquisa, ainda que centrado nos animais, pode ter aplicações em humanos.

A leucose bovina causa imunodeficiências, leucemias e linfomas no gado, e repercute de maneira considerável na produtividade do gado bovino no Uruguai, cuja economia depende fortemente das atividades agropecuárias.

Ainda que o trabalho dos uruguaios se centre em bovinos, sua similaridade com o vírus da Aids pode contribuir com elementos para a luta contra esta pandemia.

“As cápsides retrovirais mantêm certos elementos de estrutura que são comuns, então o que a gente vê no caso do vírus da leucemia bovina pode ser extrapolado em certos aspectos para a cápside do HIV”, explicou Pritsch.

Ao infectar uma célula, o vírus se desprende da cápside, e este processo de desmontagem determina a capacidade infectiva do vírus, já que neste momento, libera seu material genético.

Os modelos obtidos a partir da análise do retrovírus e das leucemias do gado são “excelentes modelos animais que permiten aplicar conhecimentos para os modelos humanos”, indicou o cientista.

Para a visualização deste componente do vírus a nível molecular, os pesquisadores recorreram a uma técnica que permite criar um modelo tridimensional em alta definição a nível atômico e visualizar sua magnitude em angstroms, unidade equivalente à 0,1 nanômetros.

Com a descoberta, se abrem as posibilidades de pensar em novos tratamentos, já que ao conhecer em detalhe a estrutura molecular das proteínas da cápside, é possível vislumbrar medicamentos que se acoplem à mesma como uma chave que abre ou fecha uma fechadura, explicou o investigador.

Os resultados obtidos pela equipe do Instituto Pasteur foram publicados na revista Science, periódico científico de prestígio internacional.

Este trabalho, que demorou cerca de quatro anos para ser desenvolvido é, para o membro da equipe “uma etapa de um projeto que com certeza vai continuar” e é resultado do “trabalho coletivo de toda uma comunidade e não só de um grupo de pesquisa”.

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Publicado em Saúde sexual

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