Câncer de mama

Outubro Rosa: a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do Câncer de Mama

No Dia Mundial de Combate à doença, especialistas chamam a atenção para a importância da mamografia e do acompanhamento médico

  • EFE/Federico AnfittiEFE/Federico Anfitti
EFE/Federico Anfitti

O câncer de mama é o segundo tipo da doença que mais atinge mulheres no Brasil e no mundo, sendo responsável por 28% dos casos e perdendo apenas para o câncer de pele não-melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o biênio 2016-2017, cerca de 58 mil novos casos da enfermidade são descobertos por ano no Brasil, seguidos por mais de 14 mil mortes anuais. Desse total, 99% dos casos acontecem com mulheres.

Na América Latina, por outro lado, são diagnosticados 152 mil casos por ano, dos quais 15% são detectados em fases avançadas, que reduzem as chances de cura, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na região, 40 mil mulheres perdem a batalha contra a doença anualmente.

Por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado hoje, 19 de outubro, o EFE Saúde ouviu especialistas da área oncológica para esclarecer a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar a doença e suas consequências, além de entender os tratamentos que envolvem este tipo de câncer.

Na visão da médica Laura Testa, especialista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), para além dos investimentos em novas formas de tratamento, os focos da campanha de conscientização devem ser os hábitos preventivos de diagnóstico precoce.

“A manutenção de uma vida saudável e equilibrada, por meio de uma boa alimentação e da prática regular de exercícios físicos diminuem as chances de desenvolver câncer de mama no futuro. Outro fator que implica nessas chances é o consumo exagerado de bebida alcoólica, que deve ser evitada”, explica.

Existem fatores genéticos relacionados ao surgimento do câncer de mama, mas, segundo o Icesp, eles são responsáveis por apenas 10% dos casos. O estilo de vida, de maneira geral, é o principal determinante para o aparecimento ou a potencialização da doença.

Diagnóstico

Um dos maiores alertas da campanha Outubro Rosa é a necessidade de realizar exames preventivos, a fim de que, caso exista, o câncer seja detectado da maneira mais precoce possível, de modo que as chances de cura sejam maiores. Conforme o Icesp, quando diagnosticado num estágio inicial, o tratamento possui 95% de chances de ser bem-sucedido, número que baixa a 50% ou 60% quando o tumor já está avançado.

“A detecção de um câncer tardio não representa necessariamente impossibilidade de tratamento, mas o dificulta. Além disso, pode exigir procedimentos mais invasivos, como cirurgias maiores e quimioterapias, que seriam desnecessários no caso de um diagnóstico precoce”, conta a oncologista.

Laura destaca que a mamografia é o principal exame para detecção do câncer de mama, pela capacidade de percepção de tumores iniciais. Realça, contudo, a importância do autoexame, “pelo conhecimento do próprio corpo, embora ele reconheça tumores já palpáveis e mais desenvolvidos”, e de cuidados individualizados, como ultrassonografia e ressonância magnética.

A idade ideal para realização dos exames varia de instituição para instituição, mas as recomendações costumam ficar entre os 40 e 50 anos. A especialista destaca que, mais do que um número, é importante considerar as peculiaridades de cada um e os fatores individuais de risco.

“Os números vêm mais de uma questão de gestão pública, mas são relativos. A partir de 50 anos é muito importante realizar, mas a curva de casos surge desde os 40. Exames precoces às vezes causam desconforto em relação a resultados menos confiáveis e eventuais operações como biópsias. Pessoalmente, porém, creio que é melhor passar pelo estresse de uma detecção incorreta do que desenvolver o câncer e não estar ciente disso”, argumenta.

Tratamento

O procedimento para cura do câncer varia de paciente para paciente e de tumor para tumor, visto que o câncer de mama não é uma doença exclusiva, mas um conjunto de anomalias com características similares. Geralmente, o tratamento consiste em métodos como cirurgia, radio e quimioterapia. Institutos de pesquisa avançada, como o Icesp, também utilizam métodos modernos, como a imunoterapia (baseada no estímulo ao sistema imunológico) e o uso de medicamentos ainda em fase de pré-aprovação.

Outra alternativa é o uso da medicina nuclear, ramo da saúde já existente há muito tempo, que desenvolve técnicas para diagnóstico e tratamento de doenças, por meio do uso de substâncias radioativas, segundo conta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e responsável clínico da Dimen, George Coura Filho.

“A medicina nuclear utiliza substâncias radioativas para identificar elementos dentro do corpo, no caso do câncer, um tumor. A partir da injeção de uma substância como glicose radioativa, que se liga facilmente a tumores, é possível detectar essas estruturas por meio da emissão de radiação do material aplicado. Isso facilita a visualização e procedimentos cirúrgicos, por exemplo”, explica.

Coura Filho também destaca que esse procedimento é indicado para detectar possíveis metástases – espalhamento de células cancerígenas pelo corpo – através da rede de linfócitos. “Quando o câncer de mama vira um tumor maligno, atinge locais para além da mama. Uma das técnicas nucleares permite, por exemplo, sua detecção nas axilas, indicando seu possível esvaziamento como solução”.

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