Combate Bouba

    OMS e laboratório brasileiro unem forças para erradicar doença rara

    Nesta quarta-feira, em reunião da OMS, a brasileira EMS anunciou que doará à entidade a azitromicina, antibiótico necessário no combate à bouba

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    EFE/Jean-Christophe Bott

     

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) firmou nesta quarta-feira um acordo com a farmacêutica brasileira EMS, para a doação do antibiótico necessário para o combate à bouba, a azitromicina, parte do projeto para erradicar a doença até 2020.

    O anúncio foi realizado hoje (19/04), durante a reunião de parceiros globais organizada pela OMS, em sua sede, em Genebra, na Suíça.

    Considerada rara, a bouba é uma doença característica de regiões tropicais, que afeta principalmente crianças, e é provocada pela infecção de um tipo de bactéria, que causa verrugas e inflamações na pele, ossos e cartilagens. A transmissão da doença se dá pelo contato com as feridas.

    Tratamento

    Há alguns anos, o tratamento para a bouba era feito por meio de injeções de penicilina benzatina. Em 2012, pesquisadores descobriram que uma única dose oral de azitromicina, outro antibiótico, era extremamente eficaz, o que possibilitaria, pela facilidade de cura, a erradicação da doença.

    Esse medicamento oral, além de não exigir muitos profissionais de saúde para manipulação e aplicação, é ideal para ser distribuído e administrado em grandes populações.

    “O anúncio é uma boa notícia para as pessoas, principalmente para as crianças que sofrem de bouba e que podem ser completamente curadas com um único tratamento”, disse Dirk Engels, diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS. “Com esta doação, queremos envolver e incentivar os países onde a transmissão ainda está ocorrendo para erradicar esta doença.”

    Onde há bouba no mundo

    A doença é considerada endêmica em 13 países de África, Ásia, América Latina e Pacífico, nos quais foram registrados 461 mil casos, 70% deles em crianças, entre 2008 e 2015.

    O objetivo de erradicar a bouba está firmado na OMS desde 1950, quando a Organização liderou um esforço mundial de tratamento com injeções de penicilina. Mais de 50 milhões de pessoas foram tratadas. Em 1964, restavam 2,5 milhões de infectados no planeta.

    A Índia foi o primeiro país certificado pela OMS como livre da bouba. No Brasil, há muitos anos não surgem casos relatados da doença.

    Estratégias

    A estratégia da OMS é mapear as comunidades em que a doença está presente, tratar em massa seus habitantes e orientar aqueles que ainda têm a doença e pessoas próximas. A permanente vigilância também é importante para detectar casos desconhecidos.

    Caso haja sucesso, a bouba será a segunda doença mundialmente erradicada da história, depois da varíola, e a primeira com o uso de antibióticos.

    “A erradicação da bouba é um enorme desafio que abraçamos com muita determinação. Esperamos que este seja o começo de muitas outras colaborações com a OMS no combate às doenças negligenciadas, contribuindo para atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável”, comentou Carlos Sanchez, presidente do Conselho de Administração do Grupo NC, ligado à empresa fornecedora.

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    Publicado em Doenças e Tratamentos

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