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Nova molécula abre caminho para acabar com resistência de superbactérias

Atualmente, 700 mil pessoas morrem por ano infectadas por bactérias super-resistentes

  • Imagem microscópica da bactéria Staphylococcus aureus.Imagem microscópica da bactéria Staphylococcus aureus.
Imagem microscópica da bactéria Staphylococcus aureus.

A resistência das bactérias aos antibióticos é um problema mundial de saúde cada vez mais grave e um dos maiores desafios da pesquisa científica, mas uma equipe de cientistas conseguiu agora eliminar a resistência de uma das bactérias mais mortíferas: a Staphylococcus aureus.

Nos últimos 30 anos, somente dois novos tipos de antibióticos foram aprovados. No entanto, nesse mesmo período, as bactérias se tornaram muito mais resistentes, principalmente devido ao uso imprudente de remédios, quando os tratamentos não são concluídos segundo às recomendações médicas, e pela automedicação.

Atualmente, 700 mil pessoas morrem por ano infectadas por bactérias super-resistentes, e calcula-se que, em 2050, esses microrganismos causarão 10 milhões de mortes por ano.

A Staphylococcus aureus é uma das mais mortíferas, um microrganismo que, ao longo de gerações, sofreu mutações em seu DNA para se tornar resistente aos antibióticos.

Esta bactéria, resistente à meticilina (um antibiótico da família das penicilinas) causa doenças de pele, meningite, endocardite, pneumonia e sepse, mas, sobretudo, este microrganismo está relacionado com a maior parte das infecções contraídas após uma intervenção ou uma internação hospitalar.

Vida das bactérias

A Staphylococcus aureus vive na pele e nas mucosas dos seres humanos, o que lhe permite entrar (e infectar) com relativa facilidade a corrente sanguínea dos pacientes recém-operados ou dos que têm o sistema imunológico enfraquecido.

O estudo, publicado nesta quinta-feira na revista “Cell”, foi liderado por pesquisadores do Centro Nacional de Biotecnologia (CNB-CSIC) da Espanha e dá mais um passo na batalha contra as superbactérias.

Com um método inovador, os pesquisadores criaram uma molécula que elimina a maquinaria celular que torna as bactérias imunes aos antibióticos convencionais.

O trabalho, realizado com ratos vivos, se concentrou em atacar diretamente as partes da bactéria em que as proteínas se encaixam para formar complexos.

“Os microdomínios na membrana da célula, denominadas balsas lipídicas, são cruciais, pois neles são formados muitos complexos proteicos relacionados com a resistência aos antibióticos”, afirmou Daniel López, pesquisador do CNB.

“Já sabemos que muitas das proteínas relacionadas com a resistência aos antibióticos se encaixam nestes microdomínios, o que fizemos foi gerar uma estratégia para quebrá-los e tentar eliminar a resistência. As moléculas que desenvolvemos fazem com que todas as proteínas deixem de funcionar e se desorganizem, fazendo com que uma bactéria resistente deixe de sê-la”, destacou o pesquisador do CSIC.

Uso das moléculas

Os cientistas propõem usar essas novas moléculas e a meticilina de forma combinada no tratamento das infecções invasivas causadas por superbactérias.

“O primeiro passo seria desmontar a resistência para depois atacar a bactéria diretamente com um antibiótico comum. É interessante porque isto permite combater as superbactérias de uma nova forma”, explicou López.

Segundo os cientistas, o trabalho abre caminho para que os antibióticos convencionais voltem a ser utilizados no combate às superbactérias, sempre em combinação com as moléculas que eles projetaram, e isto “reduziria a mortalidade causada por infecções invasivas”, acrescentou o pesquisador do CSIC.

No entanto, e se a bactéria sofrer uma nova mutação e criar resistência também para este tratamento?
Em sua resposta, López afirma que essa possibilidade é remota porque a ação de eliminar as balsas lipídicas “não exerce pressão biológica para a bactéria, ou seja, não afeta sua sobrevivência e, portanto, ela não sofreria mutações para gerar resistência”.

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Publicado em Ciência Médica

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