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Cientistas descobrem que neurônios controlam percepção do tempo

Em estudo, cientistas identificaram neurônios responsáveis pela percepção da passagem do tempo.

O sempre apressado Coelho Branco, de O sempre apressado Coelho Branco, de "Alice no País das Maravilhas".

“Quanto tempo dura o eterno?”, pergunta Alice ao coelho no clássico “Alice no País das Maravilhas”. Assim como na literatura, Einsten já havia afirmado na teoria da relatividade que o tempo é relativo.

Pela primeira vez uma equipe de cientistas identificou um grupo de neurônios que podem ser manipulados para induzir o animal a subestimar ou supervalorizar a passagem do tempo, em um estudo com ratos para identificar essa percepção.

Os resultados, publicados na revista “Science”, buscam brindar uma resposta biológica à questão sobre como essa estimativa variável do tempo funciona no cérebro, quando algumas vezes pode parecer que os minutos voam e em outras que um momento é interminável.

Análise do comportamento de ratos

Para os cientistas, foi um trabalho difícil, já que a percepção do tempo não pode ser rastreada em um órgão sensível, o que complica sua observação em nível neuronal.

Além disso, os ratos também não podem contar sua própria percepção, por isso os pesquisadores da fundação portuguesa Champalimaud só puderam analisar o comportamento dos animais.

Os cientistas analisaram a atividade dos neurônios que liberam dopamina, um tipo de molécula que funciona como neurotransmissor de informação entre estas células do sistema nervoso.

Eles focaram especialmente nos neurônios da substância negra, uma área da parte superior do tronco do encéfalo.

“Os neurônios dopaminérgicos estão conectados com muitos dos fatores psicológicos e desordens associados às mudanças na estimativa temporal”, explicaram os autores do artigo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores usaram ferramentas moleculares e genéticas para medir e manipular os neurônios dopaminérgicas.

Monitoramento neuronal

Os ratos foram treinados para conseguir reconhecer se a duração de um intervalo entre dois tons era mais curta ou mais longa do que 1,5 segundo.

Enquanto os ratos se dedicavam a essa tarefa, a atividade dos neurônios era monitorada: quando ela crescia, os animais subestimavam a duração do intervalo; quando era menor, super valorizada.

Um terceiro experimento permitiu aos cientistas identificar se a atividade estava relacionada com a estimativa do tempo nestes ratos.

Através da optogenética, uma espécie de manipulação através de brilhos ópticos, foi descoberto que, se os neurônios eram estimuladas, os ratos tendiam a subestimar a duração de um período.

Se, pelo contrário, a atividade dos neurônios era minimizada, então os animais super estimavam a duração.

Para Joe Paton, um dos pesquisadores que trabalhou neste estudo, o resultado se soma aos sinais observados em experimentos anteriores e demonstra que a atividade dos neurônios “foi suficiente para alterar a forma como os animais julgavam a passagem do tempo”.

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Publicado em Ciência Médica

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