QUÊNIA SAÚDE

“Moto-ambulância” evita que mulheres deem à luz em casa no Quênia

Uma em cada duas mulheres africanas dá à luz em casa e quase uma a cada 16 morre por complicações no parto. Embora governos como o do Quênia forneçam ajudas financeiras como forma de atenuar as despesas médicas, para muitas ainda é caro chamar uma ambulância.

  • mas infoGRA246. MOMBASA, 28/02/2015.- En Mombasa, principal ciudad de la costa de Kenia keniana, el centro médico Jaffery ha puesto en marcha la "moto-ambulancia", una asistencia mucho más barata que la ambulancia convencional para ayudar a las mujeres kenianas a parir en el hospital. Una de cada dos mujeres africanas dan a luz en casa y casi una de cada 16 muere por complicaciones en el parto. Aunque gobiernos como el de Kenia otorgan ayudas financieras para paliar los costes médicos de acudir al hospital, para muchas sigue siendo caro llamar a una ambulancia. EFE/Alicia AlamillosA A "moto-ambulância". Foto: EFE/Alicia Alamillos
A

Em Mombaça, principal cidade do litoral do Quênia, o Centro Médico Jaffery inventou a “moto-ambulância”, um serviço que tem se mostrado muito mais barato do que a ambulância convencional para ajudar às mulheres quenianas a chegar ao hospital na hora do parto.

Uma em cada duas mulheres africanas dá à luz em casa e quase uma a cada 16 morre por complicações no parto. Embora governos como o do Quênia forneçam ajudas financeiras como forma de atenuar as despesas médicas, para muitas ainda é caro chamar uma ambulância.

Desde o mês passado, pelas estreitas ruas da parte velha da cidade circula um novo “tuk-tuk”: a motocicleta de três rodas que tem acoplado um pequeno reboque na parte de atrás.

Turística por excelência, Mombaça conta com, aproximadamente, cinco mil “tuk-tuks”, transporte que se tornou popular justamente por ser pequeno, podendo se movimentar com agilidade e chegar a todos os cantos.

Essa facilidade para percorrer áreas que uma ambulância convencional não possui fez com que Sharif e Essa Harunani, diretor e administrador da clínica, começassem o projeto da “moto-ambulância”.

“O ‘tuk-tuk’ é mais rápido e pode entrar em qualquer rua. Além do mais, é muito mais fácil de manter”, afirmou Sharif.

Dentro da “moto-ambulância” há poucos equipamentos: uma maca portátil, dois bancos, um gancho para pendurar as bolsas de plasma ou de outros líquidos, um tamborete e um compartimento para guardar os medicamentos necessários.

“Vimos a necessidade de algo assim, especialmente para favorecer a transferência das mulheres prestes a dar à luz ao hospital mais próximo”, explicou Sharif.

Ao todo, 56% das quenianas dão à luz em casa, principalmente nas zonas rurais, no litoral e no norte do país, segundo dados de 2010 da Organização Mundial da Saúde.

Ter o filho em casa é um costume nessas áreas, especialmente entre as mulheres de baixa renda, segundo um estudo publicado na revista americana “Public Health Reports”.

Segundo o relatório, muitas mulheres acreditam ser “irracional” ir ao hospital para dar à luz a menos que tenham ou possam ter complicações, porque fazer o nascimento da criança no hospital “deixa as pessoas mais pobres”.

A direção do Centro Médico Jaffery tenta mudar essa mentalidade e por isso divulgou a nova ambulância para todas as autoridades de Mombaça, inclusive as religiosas.

Uma ambulância convencional custa o equivalente a quase R$100, já a ambulância ‘tuk-tuk’ saí por apenas R$7. Às vezes, nem isso, pois, quando a família não tem recursos, o Jaffery arca com as despesas, garantiu Essa.

Sharif e Essa admitem que a conscientização é complicada, já que dando à luz em casa as mulheres não têm que pagar transporte, internação, anestesias, remédios e outros materiais médicos.

Além disso, há outra explicação importante: em Mombaça são os homens que controlam o dinheiro da casa. Se a mulher entrar em trabalho de parto enquanto o marido estiver ausente, nem sequer pode pagar a ambulância.

Por essa e outras razões, a África ainda parece estar longe de cumprir os Objetivos do Milênio, que incluem a supressão “total” das mortes por parto.

Embora o Quênia e outros países africanos tenham conseguido reduzir as mortes maternas no parto, atualmente apenas uma em cada três mulheres em áreas rurais de regiões em desenvolvimento recebe o atendimento adequado durante a gestação.

Publicado em Dicas e curiosidades     Saúde de Gênero

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?