ANÁLISE EBOLA

Médicos sem Fronteiras denuncia “fracasso global” em conter surto de ebola

Em março do ano passado começaram a aparecer os alertas antecipados de casos de ebola na Guiné, que foram inicialmente negados pelos países atingidos e recebidos com indiferença pela comunidade internacional. O MSF diz que o “fracasso global” impediu conter o surto da doença.

  • mas infoMON01. MONROVIA (LIBERIA), 02/04/2014.- Ciudadanos liberan hablan acerca del brote del ébola hoy, miércoles 2 de abril de 2014, en Monrovia (Liberia). El ministro de Salud del país, Walter Gwenegale, confirmó oficialmente que el brote de ébola llegó a Liberia al confirmarse siete casos de contagio que han causado la muerte de cuatro personas. La Organización Mundial de la Salud indicó que el contagio de ébola ocurre generalmente en localidades remotas cercanas a selvas a tropicales del centro y el oeste de África. EPA/Ahmed JallanzoMédicos sem Fronteiras denuncia “fracasso global” em conter surto de ebola
Médicos sem Fronteiras denuncia “fracasso global” em conter surto de ebola

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou na última segunda-feira (23) o “fracasso global” que impediu conter o surto de ebola, surgido há um ano em Guiné, para evitar que se transformasse em uma epidemia que já matou 10 mil pessoas e ainda não foi derrotada.

“Devemos aprender das lições deste surto, desde a fraqueza dos sistemas de saúde nos países em desenvolvimento à paralisia e a lentidão da ajuda internacional”, denunciou a MSF em um relatório divulgado hoje.

“Levado ao limite e além” é o título do documento, muito crítico com a gestão da epidemia de ebola na África Ocidental no último ano.

Em março do ano passado começaram a aparecer os alertas antecipados de casos de ebola na Guiné, que foram inicialmente negados pelos países atingidos e recebidos com indiferença pela comunidade internacional.

“A epidemia de ebola foi um evento excepcional que expôs como ineficazes e lentos são os sistemas de saúde e de assistência na hora de responder a situações de emergência”, lamentou a presidente internacional da MSF, Joanne Liu.

A organização destacou nos efeitos da “coalizão mundial da inação” durante vários meses, nos quais o vírus se propagou violentamente e sem controle, o que levou a MSF a liderar o pedido de mobilização de recursos médicos civis e militares internacionais.

No final de agosto, o centro ELWA3 da MSF em Monróvia estava inundado de pacientes, ao ponto de a equipe se ver obrigado a rejeitar doentes que chegavam até ali por serem incapazes de atendê-los, mesmo com pleno conhecimento que retornariam a suas comunidades e infectariam outras pessoas.

“O surto de ebola foi frequentemente descrito como uma tempestade perfeita: uma epidemia além da fronteira em países com sistemas de saúde pública frágeis que nunca antes tinham conhecido o ebola”, explicou o diretor-geral da MSF, Christopher Stokes.

“Para que o surto de ebola se transformasse em uma espiral fora de controle foi necessário que muitas instituições falhassem. E falharam, com consequências trágicas e evitáveis”, segundo Stokes.

Diante de uma epidemia excepcionalmente agressiva e uma resposta internacional fraca, as equipes da MSF se centraram na atenção ao paciente, à vigilância, à segurança nos enterros e a divulgação dos perigos da doença.

“Nos momentos mais virulentos do surto, as equipes da MSF foram incapazes de admitir mais pacientes ou proporcionar o melhor atendimento possível”, lamentou Liu.

“Isto foi muito doloroso para uma organização de voluntários médicos, o que produziu tensões no interior da MSF”, admitiu.

O principal desafio para derrotar a epidemia e declarar o final do surto é identificar todas as pessoas que tenham entrado em contato com um doente.

“Não há espaço para erros ou complacência; o número de casos por semana é ainda maior do que em qualquer surto anterior, e os casos em geral não diminuíram significativamente desde o fim de janeiro”, advertiu a MSF no relatório.

Na Guiné o número de pacientes voltou a aumentar, e em Serra Leoa foram registraram contágios de pessoas que não entraram em contato com doentes.

A Libéria, em contagem regressiva para os zero casos, continua em risco por causa de seus vizinhos.

“É urgente que o acesso aos serviços de saúde se restabeleça, em um primeiro passo para reconstrução dos sistemas de saúde na região”, destacou a MSF, que também aposta em uma estratégia global que fomente a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas, tratamentos e ferramentas de diagnóstico.

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Publicado em Doenças e Tratamentos

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