CÂNCER

Médico diz que caso de câncer transmitido por parasita “abre portas à ciência”

O paciente tinha as defesas baixas porque tinha abandonado o tratamento. Vinha passando por um quadro de tosse, febre e perda de peso.

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Médico diz que caso de câncer transmitido por parasita “abre portas à ciência”

O médico infectologista colombiano que atendeu o “extraordinário” caso que permitiu descobrir células cancerosas de um parasita intestinal que podem causar tumores em uma pessoa disse hoje que esta revelação “abre” a porta a novas  pesquisas e diagnósticos.

“É um caso excepcional. Pode ser que ocorram mais casos futuros, mas serão esporádicos”, declarou em entrevista com a Efe o médico Carlos Andrés Agudelo, que atendeu ao paciente na Clínica Universitária Bolivariana da cidade colombiana de Medellín.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos anunciou na semana passada que este insólito caso que comoveu a comunidade científica mundial se deu na Colômbia em 2013.

O relatório, que saiu publicado na quinta-feira passada no New England Journal of Medicine, adverte sobre o risco que outros casos similares que possam surgir  sejam diagnosticados como câncer humano, especialmente em países em desenvolvimento onde este tipo de parasita (Hymenolepis acalanto) é comum.

Agudelo assegurou que esta revelação “abre a porta a novas investigações, hipóteses e perguntas”, e além disso permitirá aos médicos do mundo que enfrentem um caso similar “fazer um diagnóstico oportuno e avaliar opções de tratamento”.

Entretanto, esclareceu que o descobrimento “não significa” que às pessoas que tenham este parasita terão necessariamente um câncer e indicou que agora os pesquisadores terão uma “nova visão entre o hospedeiro (paciente) e o parasita, e de como é a relação entre câncer e infecção”.

O paciente atendido por Agudelo tinha 41 anos, sofria de HIV e tinha seu sistema imunológico debilitado.

“O paciente tinha as defesas baixas porque tinha abandonado o tratamento. Vinha passando por um quadro de tosse, febre e perda de peso”, relatou o infectologista sobre o caso.

Radiografias de tórax que mostrava massas pulmonares com características que “sugeriam” um câncer fizeram com que se “orientassem as suspeitas” nessa direção, por isso tomaram amostras dessas células, que foram revisadas pelos patologistas colombianos Lucy Díazgranados e Alejandro Vélez.

As imagens dessas biópsias foram enviadas a diferentes médicos na Colômbia, Espanha, México, Austrália e Estados Unidos. Microbiologistas, patologistas e infectologitas analisaram essa amostra, mas nenhum teve resposta.

Enquanto se davam os primeiros avanços do CDC, o paciente colombiano desenvolveu outras complicações e infecções associadas à progressão do HIV; esteve por quatro meses na clínica, desde que foi a consulta até que faleceu.

“O câncer progrediu. Começaram a sair lesões no pescoço e teve uma complicação renal associada aos remédios que estava recebendo. O paciente estava cansado, com dor e sofrendo por não saber o que lhe passava”, disse Agudelo à Efe.

O médico relatou que 72 horas antes que o paciente falecesse, o doutor Atis Muehlenbacs enviou os “resultados preliminares” nos quais falava de um parasita, uma tênia “solitária” que trasmitia células cancerosas a humanos.

A tênia “solitária” afeta cerca de 75 milhões de pessoas, especialmente a crianças, pessoas com sistema imunológico frágil ou que tomam esteroides.

“O comportamento deste parasita é muito inovador. É a primeira vez que se reporta algo assim em um humano. Merece muitos mais estudos a fundo, porque o componente de imunossupressão do paciente provavelmente teve um papel importante”, apontou Alicia Hidrón, médica infectologista que também participou do estudo.

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