PREMATUROS

Mais de 11% das crianças nascidas no Brasil são prematuras

Segundo números da Organização das Nações Unidas (ONU), todos os anos cerca de 15 milhões de crianças nascem antes de completar 37 semanas de gestação no mundo. Estes bebês são considerados prematuros.

  • Mais de 11% das crianças nascidas no Brasil são prematuras
Mais de 11% das crianças nascidas no Brasil são prematuras

Segundo números da Organização das Nações Unidas (ONU), todos os anos cerca de 15 milhões de crianças nascem antes de completar 37 semanas de gestação no mundo. Estes bebês são considerados prematuros.

O estudo “Prematuridade e suas possíveis causas”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra que a prevalência de partos de crianças prematuras no Brasil chega a 11,7%. Isso coloca o país na décima posição entre os países onde mais nascem bebês prematuros.

Para evitar um nascimento prematuro e, consequentemente, complicações na saúde do bebê, é fundamental que a mãe tenha um bom acompanhamento pré-natal, com os exames e consultas indicados pela equipe de saúde, além de uma atenção especial às infecções genitais, como corrimentos e infecções urinárias.

“O que às vezes em uma mulher que não está grávida, costuma-se esperar alguns dias para se melhorar, em uma gestante é fundamental que ela procure o serviço de saúde. Por isso, se entre uma consulta e outra aparecer uma infecção, dor para urinar ou corrimento, é necessário procurar com urgência o profissional de saúde”, explica o coordenador de Saúde da Criança e Aleitamento Materno Ministério da Saúde, Paulo Bonilha.

Outra questão associada ao índice de prematuridades dos bebês é o tabagismo. As toxinas do cigarro geram a diminuição do fluxo sanguíneo para o bebê, que por consequência recebe menos nutrientes e oxigênio. Além do parto antes do tempo, bebês de mães fumantes tendem a nascer com baixo peso, além de terem complicações respiratórias.

A conhecida cesárea agendada, sem o trabalho de parto espontâneo, também é uma causa muito associada à prematuridade.

“Não há tecnologia 100% segura para se agendar um parto e se ter segurança que o bebê está maduro. Por isso deve ser estimulado o parto normal. O parto agendado pode fazer com que o bebê nasça prematuro ou a “termo precoce”, que é aquele bebê que nasceu com 37 semanas, mas nasceria com 39 ou 40 semanas se fosse esperado o desenvolvimento normal. Embora conceitualmente ele não seja prematuro, estas duas ou três semanas que faltaram no amadurecimento dentro da barriga da mãe podem fazer com que o bebê tenha algum desconforto respiratório e acabe indo para UTI”, completa Bonilha.

Os bebês prematuros necessitam recuperar o desenvolvimento, que aconteceria de forma natural dentro do útero, fora dele. Por isso, o desenvolvimento da criança deve ser ajustado, principalmente nos primeiros anos de vida.

Um bebê que nasceu de 35 semanas, por exemplo, tem duas semanas a menos de maturação que um bebê nascido no tempo certo. A forma correta de acompanhar o desenvolvimento é que ele só seja comparado com um bebê recém-nascido a termo com 15 dias de vida. E este ajuste deve acompanha-lo nos marcos do desenvolvimento, como sustentar a cabeça, rolar, sentar, engatinhar e andar.

As recomendações gerais para o cuidado com qualquer bebê prematuro é o aleitamento materno. Se para um bebê nascido em tempo normal a amamentação é importante, para um prematuro é fundamental.

“O corpo humano é tão fantástico, que o leite materno se adapta às necessidades da criança. A composição do leite da mãe de um bebê prematuro muda para nutri-lo melhor. Os prematuros necessitam de proteção contra infecções, pois eles geralmente são mais suscetíveis. A amamentação ainda estimula o desenvolvimento psicomotor do bebê”, explica Bonilha.

A presença da família durante a internação do bebê também é fundamental para a recuperação da criança. Uma das estratégias que facilita recuperação do bebê é o método canguru, que consiste em colocar bebê em contato pele a pele o máximo de tempo possível.

Quando o método foi inventado na Colômbia, na década de 1980, ele foi pensado para substituir a incubadora na necessidade de manter o bebê aquecido. A hipotermia é uma das causas de estresse e morte dos bebês prematuros. E este método mantém o bebê aquecido, além de favorecer o contato com a flora bacteriana da mãe, que o protege de infecções hospitalares.

Em casa, quando o bebê já teve alta, o contato pele a pele favorece o desenvolvimento psicomotor. O bebê prematuro possui um risco maior ao atraso no desenvolvimento e quando carregado junto da mãe, ele está exposto a mais estímulos.

O que preocupa os pais dos bebês prematuros?

Pais de nascidos prematuros no Brasil têm entre suas maiores preocupações o desenvolvimento de problemas respiratórios nos bebês após o parto, em 32 % dos entrevistados pela Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Prematuros (ONG “Prematuridade.com”) em enquete inédita realizada para marcar o Dia Mundial de Atenção ao Prematuro (17 de novembro) .

Em um ranking da Organização Mundial da Saúde, o Brasil está entre os dez países com maior número de partos prematuros, e este foi o mês escolhido para a conscientização de um dos principais desafios do setor que busca soluções para problemas respiratórios, neurológicos e o acompanhamento dos recém-nascidos.

A enquete da ONG “Prematuridade.com” revela ainda que o momento mais difícil vivenciado pelos pais de prematuros é sair do hospital sem o bebê (26%) que continua hospitalizado após a alta da mãe do recém-nascido.

“As famílias ficam aflitas com a falta de informação sobre a saúde do seu bebê, que permanece em UTI”, afirmou à Efe a fundadora e diretora executiva da ONG, Denise Suguitani.

Esse sentimento está demonstrado na enquete, que registrou a “desumanização” da UTI (18%), falta de apoio psicológico para os pais durante a hospitalização do bebê (16%) e falta de informação sobre a saúde geral de seu bebê (9%) como situações importantes para os pais de prematuros.

“Na enquete, muitos pais relataram bastante a falta de atenção que sofreram na situação desesperadora de ver o bebê à beira da morte, por isso acabam tendo muitas dúvidas e precisam deste olhar mais humano para o acompanhamento e ajuda”, apontou.

A diretora da ONG também reiterou a falta de grupos de apoio aos familiares dos bebês prematuros, e também a ausência de um treinamento qualificado para profissionais de saúde no tratamento desta questão.

A pesquisa entrevistou cerca de 130 pais de recém-nascidos prematuros para marcar o mês de novembro que, no mundo, é o mês de atenção com a prematuridade, caracaterizada pelo nascimento com menos de 37 semanas de gestação.

Segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, Sistema Único de Saúde (SUS) e do Ministério da Saúde, nascem cerca de 40 bebês prematuros por hora, o que corresponde a 12,4 % da taxa de prematuridade, o dobro do índice de alguns países europeus.

De acordo com Suguitani, a função da enquete também é mostrar os problemas que os pais de bebês prematuros sofrem após o parto, e quais cuidados deverão ter em relação à higiene, exposição e vacinação dessas crianças.

Sobre a vacinação, no mês passado, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM) apresentou um novo calendário de vacinação e imunização para bebês prematuros, que serve de orientação para pais e profissionais de saúde.

 

Mais sobre a ONG A “Prematuridade.com” foi criada com o objetivo de compartilhar e debater informações a respeito da prematuridade. Para mais informações, acesse www.prematuridade.com.

Imunização Em atenção às necessidades específicas para a saúde do prematuro, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM) criou um calendário de vacinações/imunizações especial, que pode ser conhecido no site da entidade, www.sbim.org.br.

Marcados com:
Publicado em Ciência Médica     Saúde de Gênero

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?