DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

A luta por um transplante fora de casa

O Dia Mundial do Doador de Orgãos e Tecidos, celebrado hoje em vários países que promovem a doação, tem um significado especial para Égide Nshmirimana, um imigrante de Burundi

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A luta por um transplante fora de casa

A problemática dos refugiados é um capítulo trágico na vida de qualquer pessoa que precisa sair de seu território e esse drama se torna mais complexo quando, atrás de uma história marcada por conflitos políticos, se esconde a realidade de uma pessoa que luta também por saúde.

O Dia Mundial do Doador de Orgãos e Tecidos, celebrado hoje em vários países que promovem a doação, tem um significado especial para Égide Nshmirimana, um imigrante de Burundi, um pequeno país da África, que chegou há dez meses ao Brasil com a esperança de esquecer o conflito político do país e para poder tratar sua insuficiência renal.

Com um corpo esguio, que mostra os traços frágeis da doença renal e os efeitos colaterais de um tratamento pesado e desconfortável, Egide possui um sorriso que se traduz em “espero” , um sonho de vida a milhares de quilómetros de sua casa e família.

A 16 horas de viagem da fronteira de Burundi a Ruanda, onde  africano foi para ser tratado três vezes por semana, Égide sabe que do outro lado Atlântico tem encontrado ajuda para conseguir que o transplante que precisa.

De família humilde, Égide passou dez anos sem tratamento pela falta de um diagnóstico eficaz em casa e depois de tentar obter um visto para ir a França e ao Canadá, teve os papeis aprovados para viajar para o Brasil, onde apostava para conseguir o tão sonhado transplante de rim.

Ele conta que saiu do país porque ele não tinha acesso ao tratamento e pela crise política, encontrando no Brasil um refúgio para sobreviver. Égide tentou vistos em outros territórios, mas o primeiro que conseguiu foi no Brasil, onde, apesar de não ter certezas “conseguiu tratamento aqui”.

O que parecia se encaminhar para um final feliz no Brasil, teve um capítulo obscuro quando Égide foi roubado por uma mulher africana que suspeitamente iria ajudá-lo e o deixou sem documentos e sem dinheiro.

Desamparado e sem falar português, Égide recorreu a polícia e os agentes, ao ver seu estado de saúde e que vinha da África, pernsaram que se tratava de um paciente com ebola, epidemia recorrente na época, e essa suspeita foi a qual acelerou sua atenção médica depois de dez dias sem hemodiálise, necessária para manter estável a sua situação de saúde.

A quarentena que se viu obrigado a passar por ser um paciente suspeito de ter ebola o fez conhecer e familiarizar-se com brasileiros e com o idioma, que domina depois de dez meses e o permite cursar matemática na Universidade de Sao Paulo, além de dar aulas particulares de frânces e inglês como fonte de renda.

Agora, Égide, que recebe apoio da ONG Adus, que ampara refugiados no Brasil, espera a chegada do irmão Thomaz ao Brasil, que pode ser o doador do rim que ele precisa. Depois, sonha em trazer a família e poder cursar medicina para ajudar outras pessoas que ficaram em Burundi e não tiveram a mesma sorte que ele.

“Quero ficar no Brasil e estou tentando fazer tudo para me preparar. Meu sonho é continuar estudando até conseguir trabalhar neste país, onde quero planejar a vida aqui”, destacou.

A história de Égide inspirou o jovem músico brasileiro Bruno Saike, quem realizou em 2015 uma campanha com celebridades internacionais para promover a doação de órgãos, entre eles Lionel Messi e Laura Pausini.

Campanha de Doação 

Com uma versão em português  e espanhol da canção ‘Sueño dorado’, do argentino Abel Pintos, nas vozes de Bruno Saike e Tania Mara, mais de 100 artistas gravaram “vídeo-selfies” com mensagens em linguagens de sinais para remeter à doação de órgãos.

Depois da campanha que teve o nome de #Juntosotravez, surgiu #Juntosparasiempre,  com a participação de figuras brasileiras como Ivete Sangalo, Daniel, Jorge Aragão, Agnaldo Rayol e Elba Ramalho, entre outros, teve o vídeo com Égide como protagonista.

A campanha também teve o apoio de Patch Adams, quem inspirou o filme estrelado por Robin Williams.

Saike, cantor e ativista, lembrou que no primeiro trimestre, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), foi apresentada no Brasil uma “recuperação” na taxa de doadores que passo 13.1 milhão de pessoas (pmp) para 14,0, embora o valor é inferior a 16,0 prevista para este ano.

“É um desafio complexo e quando os três estados mais populosos (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) têm baixo, uma vez que é de 6,8 são paulistas”, disse Saike, que destacou que a política do Governo Federal deve dar prioridade a aeronave de transporte órgão da Força Aérea.

No entanto, o músico disse que o “maior dificuldade que esta situação vai melhorar é a recusa da família, o que representa uma rejeição de 44% na maioria dos estados, com picos de 65% em Goiás (centro)”.

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Publicado em Saúde e Bem-estar

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