CIÊNCIA ZIKA

Imunização contra dengue também pode funcionar para zika, indica estudo

A imunologista Sujan Shrseta, coordenadora do estudo, ressaltou que a descoberta pode ter profundas implicações nos esforços para fabricar uma vacina efetiva contra a zika.

  • O mosquito aedes aegypti, transmissor da denge e da zika. EFEO mosquito aedes aegypti, transmissor da denge e da zika. EFE
O mosquito aedes aegypti, transmissor da denge e da zika. EFE

A imunização contra o vírus da dengue também pode funcionar para prevenir as infecções por zika, segundo um estudo em ratos publicado nesta segunda-feira pela revista “Nature Communications”.

Pesquisadores do Instituto La Jolla para Alergias e Imunologia, nos Estados Unidos, identificaram o tipo específico de linfócitos T do sistema imunológico que são capazes de defender o organismo de ambos os vírus.

A imunologista Sujan Shrseta, coordenadora do estudo, ressaltou em um comunicado do instituto que a descoberta pode ter profundas implicações nos esforços para fabricar uma vacina efetiva contra a zika.

“Em algumas partes do mundo, o vírus da zika atua quase como uma infecção secundária (uma infecção que começa durante ou depois do tratamento de outra). Se propagou pelo Brasil e América Latina, e se move para locais da Ásia, onde as pessoas tinham contraído antes a dengue”, afirmou Sujan.

A pesquisa sugere que é possível produzir vacinas que “tenham como objetivo ambos os vírus (dengue e zika), desenvolvidas para induzir uma resposta efetiva dos linfócitos T e dos anticorpos para proteger as pessoas dessas regiões”, segundo a imunologista.

Quando um patógeno ataca o organismo, o corpo inicia dois tipos de resposta imunológica para tentar neutralizá-lo. Primeiro, os linfócitos B começam a segregar certas proteínas que se entrelaçam com os patógenos que penetraram no sangue e nos tecidos e contribuem para desativá-los. Ao mesmo tempo, é ativado um segundo sistema de proteção no qual linfócitos T citotóxicos identificam e eliminam as células que foram infectadas por microorganismos.

As vacinas mais potentes conseguiram imitar ambos os mecanismos, se bem que a maioria delas – 26 das 28 aprovadas para uso humano -, têm como função estimular os linfócitos B, uma resposta que na maioria dos casos é suficiente.

Sujan e seu grupo consideram que as vacinas dirigidas ao mesmo tempo ao segundo sistema de proteção podem proporcionar uma nova via de ataque contra patógenos que se mostraram intratáveis até agora.

Em seu trabalho para desenvolver uma vacina efetiva contra a zika, os pesquisadores infectaram em primeiro lugar ratos geneticamente vulneráveis a essa família de vírus com uma cepa de dengue. Os ratos se recuperaram após terem ficado doentes, por isso adquiriram imunidade contra a dengue, dado que seu sistema imunológico aprendeu a mobilizar linfócitos B e T contra essa agressão.

Após esse passo, os cientistas comprovaram que os efeitos do vírus da zika nesses ratos que previamente tinham contraído dengue eram menores tanto nas células sanguíneas como em tecidos do cérebro e do fígado.

“Estas experiências sugerem que a razão pela qual algumas pessoas infectadas com zika não acabam desenvolvendo a doença é porque já tinham sido previamente expostas à dengue”, explica Sujan.

“Isso poderia explicar por que a zika não é transmitida aos filhos de todas as mulheres grávidas em países nos quais a dengue é endêmica”, afirmou a cientista.

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Publicado em Ciência Médica

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