MOSQUITO TRÂNSGÊNICO

Uma legião de mosquitos pode combater a dengue e o zika

Ao contrário de outros mosquitos, o Aedes aegypti “bom”, como coloquialmente foi apelidado no Brasil, é bem-vindo em Piracicaba, onde os moradores do bairro Cecap Eldorado levam um ano convivendo ‘tranquilamente’ com estes insetos.

  • EFE/ Sebastião MoreiraEFE/ Sebastião Moreira
  • mas infoACOMPAÑA CRÓNICA: BRASIL ZIKA. BRA66. PIRACICABA (BRASIL), 27/01/2016.- Fotografía de mosquitos modificados genéticamente, este martes, 26 de enero de 2016, en Piracicaba, estado de Sao Paulo (Brasil). Una legión semanal de 800.000 mosquitos transgénicos combate en la ciudad brasileña de Piracicaba el Aedes aegypti, un transmisor del dengue y el zika que ha puesto en jaque a las autoridades sanitarias de Brasil y otros países de Latinoamérica. Los mosquitos transgénicos, cuya comercialización todavía está pendiente de aprobación por parte de los órganos reguladores, se aparejan en libertad con las hembras salvajes y transmiten el "gen letal" a sus descendientes, por lo que la nueva generación de mosquitos muere antes de llegar a la fase adulta, disminuyendo así su población. EFE/Sebastião Moreira
EFE/ Sebastião Moreira

Uma legião semanal de 800.000 mosquitos transgênicos combate em Piracicaba, no interior de São Paulo, o Aedes aegypti, um transmissor da dengue e do zika que pôs em xeque às autoridades sanitárias do Brasil e outros países da América Latina, além de já estar presente na Europa e nos Estados Unidos.

Ao contrário de outros mosquitos, o Aedes aegypti “bom”, como coloquialmente foi apelidado no Brasil, é bem-vindo em Piracicaba, onde os moradores do bairro Cecap Eldorado levam um ano convivendo ‘tranquilamente’ com estes insetos.

O mosquito “bom”, criado pela empresa inglesa Oxitec, foi modificado geneticamente em 2002 para impedir a expansão territorial do Aedes aegypti e há um ano começou a ser utilizado em Piracicaba para frear o aumento da dengue nesta cidade de 460 mil habitante.

AÇÃO TRANSGÊNICA

Uma caminhonete carregada com milhares de mosquitos percorre diariamente o bairro Cecap Eldorado, onde há dois anos se registrou 80% dos casos de dengue do município, a principal batalha das autoridades antes da chegada do zika, um vírus que se relacionou  com o aumento de casos de microcefalia em recém- nascidos no Brasil.

Os mosquitos transgênicos, cuja comercialização ainda está pendente de aprovação por parte dos órgãos reguladores, se aparelham em liberdade com as fêmeas selvagens e transmitem o “gene letal” a seus descendentes, por isso que a nova geração de mosquitos morre antes de chegar à fase adulta, diminuindo assim sua população.

De acordo com a Oxitec, nos últimos oito meses as larvas de Aedes aegypti reduziram cerca de 82% no bairro onde foi empregado o inseto modificado geneticamente e o número de casos de dengue passou de 133 para 1.

O êxito do projeto piloto, realizado tanto pelos especialistas como pelos habitantes Piracicaba, chamou a atenção de outros municípios brasileiros atrelados em sua luta contra estas doenças tropicais.

“Há um grande número de municípios que estão entrando em contato conosco. A avaliação foi extremamente positiva”, disse à agência Efe Sebastião Amaral Campos, agente da secretaria de Saúde de Piracicaba.

O município recorreu aos serviços de Oxitec “como alternativa” perante o “fracasso” dos métodos tradicionais para combater o mosquito, que se caracteriza por pôr os ovos em água limpa e estagnada.

Antes de soltá-los, os insetos modificados são minuciosamente tratados em um laboratório, onde se reproduzem os “tataranetos” da primeira geração de mosquitos transgênicos, segundo explicou a supervisora de produção de Oxitec, Karla Tepedino.

Na fase de pupa, os machos e as fêmeas do Aedes aegypti são separadas em função de seu tamanho. Posteriormente, as fêmeas são descartadas e os machos são criados até a fase adulta para finalmente soltá-los.

O projeto piloto, que teve um custo “simbólico” de 150 mil reais, será estendido à região central de Piracicaba, onde transitam diariamente umas 60 mil pessoas que deverão aprender a realizar  sua rotina diária rodeados de insetos inócuos.

Será uma batalha mais na guerra contra o Aedes aegypti, que como o próprio ministro da Saúde, Marcelo Castro, admitiu, “Brasil está perdendo”.

“Há 30 anos o mosquito vem transmitindo doenças a nossa população e desde então nós as combatemos, mas estamos perdendo a guerra contra o Aedes aegypti. Vivemos uma verdadeira epidemia”, declarou o ministro.

O Aedes aegypti acendeu os alarmes em setembro passado quando as autoridades sanitárias identificaram um aumento dos casos de microcefalia, na qual o bebê nasce com o crânio de menor tamanho ao normal, provocados pelo vírus zika.

Segundo o governo, em todo o país se registraram pouco mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia, 270 confirmados terem a doença que pode ser causada pelo zika ou outro agente infeccioso.

No ano passado, quando o zika não tinha chegado ao Brasil, se registrou uma centena de casos de bebês nascidos com microcefalia.

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