DENGUE BRASIL

GSK financia projetos de combate à dengue no Brasil

Criado para fomentar a pesquisa científica de longo prazo, o fundo colabora nesses projetos no Brasil com duas grandes instituições oficiais, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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EFE/Thais Llorca

O fundo para pesquisa Trust In Science, criado em 2011 pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK), financia no Brasil dois projetos para o combate à dengue, doença que causou um número recorde de mortes no país neste ano, informou o diretor da empresa nesta quarta-feira.

“Temos dois projetos: um tem a intenção de descobrir antígenos que possam ser utilizados em novas vacinas, o outro visa descobrir novos agentes químicos que possam atacar a dengue”, disse em entrevista à Agência Efe o diretor da Trust in Science, o argentino Isro Gloger.

Criado para fomentar a pesquisa científica de longo prazo, o fundo colabora nesses projetos no Brasil com duas grandes instituições oficiais, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com Gloger, um painel composto por cientistas brasileiros, argentinos e mexicanos avalia os projetos e seleciona quais receberão financiamento do fundo em função da qualidade do próprio projeto e das necessidades da região.

Foi assim que a Trust In Science decidiu financiar esses dois projetos, desenvolvidos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que buscam combater uma doença que nos oito primeiros meses do 2015 tirou a vida de 693 pessoas no Brasil, apesar de, segundo Gloger, ambos estarem “em estágio muito inicial”.

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o número de prováveis casos de dengue registrados no país até o fim de agosto ficou em 1.416.179, muito próximo do recorde de 1.452.489 casos possíveis contabilizados em 2013.

Desde a criação do fundo, em 2011, a GSK investiu na região um total de US$ 6,2 milhões e deve investir mais cerca de US$ 4,6 milhões até 2017.

Esse investimento permitiu iniciar 36 projetos, tanto no Brasil como na Argentina, que, por serem “cientificamente” os dois países “mais poderosos da região”, foram os dois primeiros a receberem o programa da GSK, que também entrará em funcionamento no México no início de 2016.

Gloger considerou que o balanço deste programa, que busca “trabalhar com os agentes governamentais, analisar que áreas são primordiais na região e promover uma pesquisa de longo prazo”, é “muito positivo” até o momento.

O diretor da Trust In Science enfatizou a importância de que a propriedade intelectual pertença aos pesquisadores, apesar de a farmacêutica britânica ter uma primeira opção sobre a comercialização das possíveis descobertas.

Os resultados de algumas destas pesquisas já foram divulgados em diversas revistas científicas “de alta qualidade”, disse o doutor em Virologia Molecular pela Universidade Hebraica de Jerusalém.

Entre seus projetos na América Latina, Gloger destacou as pesquisas sobre leishmaniose visceral e cutânea, doença de Chagas, obesidade e problemas vasculares, assim como para identificar novos biomarcadores que possam ajudar os pacientes asmáticos.

“Nenhuma outra companhia farmacêutica fez um investimento assim na América do Sul”, afirmou Gloger, que também ressaltou a importância do fundo na África, onde atualmente desenvolve 13 projetos em Uganda, Quênia e Tanzânia.

Gloger está no Rio de Janeiro para participar da conferência “Bio Latin America”, que até a próxima sexta-feira reunirá vários especialistas do setor biotecnológico em nível internacional, a fim de potencializar a inovação científica na região.

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Publicado em Ciência Médica     Saúde e Bem-estar

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