ESCLEROSE

Estudo vê brasileiros entre mais propensos a esclerose múltipla na A. Latina

A esclerose múltipla é mais comum em regiões geográficas frias ou mornas e pessoas brancas têm mais facilidade de contrai-la do que as negras ou de origem asiática. As mulheres têm mais predisposição – para cada homem com a doença existem duas mulheres.

  • Foto: Stock.Xchng/DivulgaçãoFoto: Stock.Xchng/Divulgação
Foto: Stock.Xchng/Divulgação

Os habitantes do Brasil, da Argentina e do Chile têm mais propensão à esclerose múltipla do que os cidadãos dos demais países da América Latina, afirmou o chefe do serviço de Neurologia Clínica e diretor da Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Italiano, em Buenos Aires, Edgardo Cristiano.

“No Cone Sul, Argentina, Chile e o sul do Brasil, de São Paulo para abaixo, a incidência deve estar entre 20 e 40 pacientes para cada 100 mil habitantes, e essa quantidade diminui consideravelmente conforme você se aproxima da Linha do Equador. Para a nossa sorte, em países tropicais a frequência da doença é muito menor. No Cone Sul, mesmo na zona de maior aparecimento da doença na América Latina, ainda temos dez vezes menos ocorrência do que no hemisfério norte”, disse o médico, que participou do fórum médico Roche Press Day, que encerrou ontem em Buenos Aires.

Segundo o especialista, 30% das pessoas que têm esclerose múltipla não são diagnosticadas adequadamente ou são subdiagnosticadas.

“O subdiagnóstico ocorre principalmente porque ela se confunde com novas doenças e, muitas vezes, médicos e pacientes atribuímos os sintomas ao estresse”, explicou.

Esta é uma doença do sistema nervoso central, onde o sistema imune ataca a mielina, a substância gorda que cobre os neurônios e facilita a comunicação.

“Não existe uma cura definitiva, mas temos muitas alternativas de tratamento que permitem o controle da doença”, esclareceu o chefe da unidade.

Atualmente, existem no mundo 2,5 milhões de pessoas com esclerose múltipla. Na América Latina esse número varia entre 50 mil e 100 mil.

“Algumas teorias indicam que possivelmente os vikings nas suas conquistas levaram nos seus genes a predisposição a ter essa doença pela Europa”, comentou o especialista.

Mais sobre a doença

A esclerose múltipla é mais comum em regiões geográficas frias ou mornas e pessoas brancas têm mais facilidade de contrai-la do que as negras ou de origem asiática. As mulheres têm mais predisposição – para cada homem com a doença existem duas mulheres.

É uma doença que aparece entre os 20 e os 40 anos e gera forte impacto socioeconômico nos sistemas de saúde.

“A vida moderna poderia ter algo a ver com este aumento e, de certa forma, a falta de exposição ao sol também”, ponderou.
Segundo o médico, é preciso estar alerta aos sintomas para procurar um neurologista e fazer os exames pertinentes para o diagnóstico adequado e oportuno.

“Muitas vezes, os sintomas desaparecem completamente e não fica sequela alguma. Dois anos depois, volta a aparecer outro sintoma neurológico que é totalmente diferente. Se na primeira vez foi a visão turva, depois, por exemplo, é a uma perna dormente”, ilustrou.

Perante uma doença de causa praticamente desconhecida, que não é contagiosa e nem tipicamente hereditária, a pessoa, às vezes, precisa aprender a conviver com enjoos, problemas de visão, formigamento, incontinência urinária, entre outros.
María Cristina Abbiati, diagnosticada com a doença há 20 anos e membro da comissão diretora da Associação Esclerose Múltipla Argentina (EMA), defendeu no encerramento do Roche Press Day que “nenhum paciente é igual ao outro”.

“Para além do difícil que é ter um diagnóstico crônico de incapacidades, consegui me conectar com outros e fiz isso através da associação, que dá suporte a quem tem a esclerose múltipla nas áreas legal, social e de saúde mental”, indicou.

Publicado em Doenças e Tratamentos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?