PESQUISA - CEGUEIRA

Estudante argentino desenha sapatos com vibração para guiar cegos

Com um par de sapatos inteligentes que vibram quando aparece um objeto por perto, o estudante argentino Juan Manuel Bustamante pretende ajudar a guiar jovens cegos e substituir a clássica bengala que muitos deles rejeitam.

  • mas infoGRA102. VALLADOLID, 25/11/2012.- Detalle de las manos de uno de los cerca de sesenta ajedrecistas ciegos y con deficiencia visual de España que han participado durante el XIII Campeonato de España Individual de Ajedrez para Ciegos que se ha disputado estos días en Valladolid. EFE/Nacho GallegoEstudante argentino desenha sapatos com vibração para guiar cegos
Estudante argentino desenha sapatos com vibração para guiar cegos

Com um par de sapatos inteligentes que vibram quando aparece um objeto por perto, o estudante argentino Juan Manuel Bustamante pretende ajudar a guiar jovens cegos e substituir a clássica bengala que muitos deles rejeitam.

O protótipo criado por ele, que concorrerá na próxima semana na Feira Nacional de Ciência da Argentina, detecta todo tipo de objeto dentro de um raio de 25 centímetros, explicou à Agência Efe o jovem inventor.

Aluno do Colégio Industrial número 4 da cidade de Rio Gallegos, Bustamante trabalhou seis meses neste dispositivo, que projetou depois de uma conversa com uma amiga que começou a perder a visão durante a adolescência.

“Ela me disse que há uma grande rejeição dos jovens cegos à bengala, porque a consideram algo que os estigmatiza”, comentou.

Após confirmar a opinião de sua amiga em visitas a colégios especiais e conversas com alunos e professores, o jovem inventor pensou em sapatos como alternativa por considerar “um objeto discreto e de uso cotidiano”.

“Os sapatos foram pensados para jovens cegos com idades entre 10 e 25 anos, que são os que mais se negam a utilizar a bengala”, acrescentou.

O dispositivo, que levou o nome de ‘Duspavoni’, é montado no calçado tradicional e possui três sensores ultrassônicos nas partes frontal, lateral e traseira. Os sensores enviam uma onda que, ao rebater contra um objeto, permite ao calçado determinar a distância à qual se encontra.

“Quanto mais perto está o objeto, mais ele vibra. Se está de frente, vibra na ponta; se estiver ao lado, a sola; e se estiver atrás, o calcanhar”, detalhou Bustamante, que contou que teve que reduzir o nível de vibração que pensou inicialmente porque foi considerado um incomôdo para os cegos que testaram o equipamento.

O sistema projetado por ele detecta pessoas, animais e qualquer tipo de objeto, como árvores, grades, automóveis e muros.

“O sapato é carregado através de um cabo USB conectado ao computador ou com um carregador de celular. A carga completa é conseguida em cinco horas e tem duração de três a cinco dias”, explicou o jovem inventor.

Segundo Bustamante, os sensores têm uma vida útil de, aproximadamente, 12 anos e a bateria de seis anos. O argentino trabalhou sozinho no dispositivo, embora tenha recebido ajuda de alguns amigos e de seu irmão, que estuda Eletrônica e deu ideias que lhe permitiram acelerar a construção do protótipo com o qual ganhou o primeiro prêmio de Santa Cruz, província de Rio Gallegos.

O jovem recebeu várias ofertas para o financiamento da fabricação do ‘Duspanovi’, mas antes de optar por alguma, Bustamante espera ver o impacto que a invenção terá na Feira Nacional de Ciência, que acontecerá de 9 a 14 deste mês em de Buenos Aires.

“O principal não é ganhar, mas chegar às pessoas que precisam. O projeto é para ajudar, não para eu ganhar o prêmio ou ficar milionário”, revelou o estudante.

Embora sejam os primeiros sapatos com sensores pensados para cegos da Argentina, em outros países, como o Reino Unido e a Índia, invenções similares já foram patenteadas, embora, por enquanto, nenhuma delas conseguiu desbancar a bengala, um desafio a mais para Bustamante.

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