SAÚDE ALIMENTOS

Especialistas contestam “demonização” de alimentos e influências digitais

Desmistificar a visão de alimentos como açúcares, adoçantes, trigo e óleos como “venenos” é um dos temas de debate do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, realizado em SP.

  • EFE/ Justin Lane EFE/ Justin Lane
EFE/ Justin Lane

Especialistas da área de saúde alimentar condenaram nesta quarta-feira em São Paulo a “demonização” de alimentos como açúcares, adoçantes, trigo e óleos, que estão sendo retirados das dietas sob o pretexto de que causariam doenças ou aumento de peso, em alguns casos por influências não qualificadas em redes sociais.

Desmistificar a visão desses e outros produtos como “venenos” é um dos temas de debates do 14º Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), realizado na capital paulista.

Substitutos do açúcar em muitas dietas, os adoçantes não devem ser encarados com temor para alimentação saudável, segundo a maior especialista sobre o tema no Brasil, a engenheira de alimentos Maria Cecilia Toledo.

“Alguns conceitos incorretos estão sendo transmitidos ao longo dos anos sobre o adoçante e sobre o açúcar. A ideia de que o aspartame provoca efeitos deletérios ao organismo não é verdadeira, e a era das redes sociais ajuda a viralizar essas demonizações”, argumentou.

De acordo com Toledo, a explosão de influenciadores digitais ajuda a disseminar “ideias erradas” sobre alimentos como o adoçante, comumente associado ao câncer e que ela vê como uma “ferramenta no combate à obesidade“.

Toledo enfatizou que a generalização feita a esses alimentos é proveniente, muitas vezes, de interpretações erradas de pesquisas e falhas de investigação, o que vem sendo desmistificado pelos órgãos reguladores e protocolos muito rigorosos de aprovação deste tipo de produto.

“Não é veneno. É preciso prestar atenção na ciência, e não na ideologia. Isso faz com que a população não saiba mais o que comer: açúcar faz mal, sal faz mal, existe uma grande confusão”, disse, ressaltando que o verdadeiro problema é a quantidade consumida.

Para a nutricionista Márcia Terra existe uma necessidade urgente de reinterpretar a inclusão ou não de alimentos nas dietas, e estas não devem ser tratadas como sinônimos de restrição.

Sobre ácidos graxos, o professor da Universidade de São Paulo (SP), Jorge Mancini, destacou que a composição entre os diversos tipos é muito similar, o que coloca alguns tipos como o cártamo e o de coco como alimentos parecidos com o óleo de soja.

“O advento do óleo de coco eclodiu com a resposta de perda de peso da população da Indonésia, que tinha problemas de circulação, no entanto essa população não consome só o óleo de coco, mas o coco em geral, então a dieta tradicional é com baixo consumo de açúcar e processados, e focada mais em pescados e fibras, produtos recomendados para uma dieta saudável”, explicou Mancini.

“Não existe uma dieta humana ideal, o homem pode se adaptar a diferentes habitats e consumir diversos alimentos”, enfatizou Terra

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