HEPATITES

Diagnóstico precoce de Hepatite C pode combater doenças mais graves, defende campanha

Campanha quer conscientizar brasileiro sobre Hepatite C, doença silenciosa que atinge cerca de 1,5 milhões de pessoas, mas elas não sabem.  

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Diagnóstico precoce de Hepatite C pode combater doenças mais graves, defende campanha

A Hepatite C é uma inflamação viral no fígado que se manifesta de maneira silenciosa e pode, por causa do diagnóstico tardio, evoluir para cirrose e até câncer hepático. No entanto, se identificada, a doença apresenta resposta de quase 100% dos tratamentos, segundo destacaram especialistas.

“A hepatite, por ser silenciosa, pode-se passar por uma virose. Se progredir, pode se tornar fibrose e levar até 25 anos para se manifestar já como cirrose que, com fatores externos como a bebida alcoólica, podem acelerar a evolução”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Edmundo Lopes.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, atualmente no Brasil mais de 1,5 milhão de pessoas são portadoras de hepatite C e não sabem. De 1999 a 2016, pouco mais de 182 mil casos foram notificados, sendo a maior concentração de registros no Norte do país.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sérgio Cimerman, as notificações estão concentradas em algumas regiões do país devido a distribuição dos centros de atendimento e também da área que eles atendem e, ainda, podem haver falhas nos registros.

Para combater este silêncio e aumentar o diagnóstico precoce da hepatite C, as Sociedades Brasileiras de Infectologia e Hepatologia junto com Associação Médica Brasileira (AMB) e com a biofarmacêutica AbbVie lançaram uma campanha pública para incentivar os profissionais da saúde a incluir o teste para Hepatite C – Anti- HCV– na prática clínica.

“É importante o engajamento de toda a classe médica para detectar e tratar a doença precocemente, isto é, quando os danos ao fígado e a outros órgãos ainda podem ser controlados. Com a detecção precoce e tratamento adequado, podemos acreditar que a erradicação da doença é possível”, reforçou Cimerman.

“O problema da hepatite C não é o tratamento, é o diagnóstico”, acrescentou Lopes.

De acordo com o médico, a doença é mais comum em grandes centros urbanos por ser proveniente, sobretudo, “de transmissão parental, através de transfusões sanguíneas, seringas, agulhas reutilizáveis, drogas, tatuagens”.

“A ideia no futuro é conseguir a imunização completa”, ressaltou o secretário-geral da AMB, o médico Antonio Salomão.

Prevalência

Especialistas destacam que, em geral, a doença prevalece em pessoas com mais de 40 anos, usuários de drogas, portadores percingis ou tatuagens, especialmente as coloridas, quem já fez diálise renal, ou ainda portadores de outras doenças, como a diabetes tipo 2. Isso porque o vírus da hepatite C pode ser alterado em contato com insulina no organismo do diabético, embora não haja comprovação da relação.

Cenário

  • No mundo, estima-se que 160 milhões de pessoas tenham Hepatite C crônica;
  • 1,4 milhões de pessoas morrem ao ano por hepatites virais. São quatro tipos A, B, C e D, sendo seis tipos de vírus;
  • No Brasil, entre 2000 e 2015, as hepatites foram uma das principais causas de morte;
  • Em mais de 52% dos casos notificados brasileiros não se sabe a origem da infecção.
  • Sintomas da hepatite C crônica podem demorar 30 anos para se manifestar e quando aparecem já é um sinal do estágio avançado da doença.

Exame Anti- HCV

O exame está disponível nas redes públicas e privadas de saúde. É simples: por meio de exame de sangue, que detecta a presença de anticorpos contra o vírus no organismo. Se positivo, o paciente deve procurar um especialista para o encaminhamento ao tratamento mais adequado.

No caso do sistema público, para que o paciente tenha acesso ao tratamento, outro exame que identifica o genotipo da hepatite será solicitado e o resultado deste pode demorar cerca de um mês.

Gestantes

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que mães com hepatite C não devem amamentar seus filhos. No entanto, os médicos presentes no lançamento da campanha explicaram que a doença é pouco frequente “por via vertical” e que com o diagnóstico precoce, gestantes não precisam se preocupar.

A OMS projeta erradicar a hepatite C até 2030.

Entenda o vírus 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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