DIA MUNDIAL CONTRA O CÂNCER

Desenvolvimento da patologia pode melhorar tratamento de câncer, diz instituição

Uma das avaliações mais necessárias no Brasil é como o processo de diagnóstico e tratamento é conduzido, começando pela patologia, fase que estuda os melhores procedimentos para tratamento precoce

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Desenvolvimento da patologia pode melhorar tratamento de câncer, diz instituição

O câncer atinge deve atingir 596 mil brasileiros entre os anos de 2016 e 2017, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), dentre os quais boa parte não é direcionada rapidamente para seu tratamento, situação que é uma das principais reivindicações da Sociedade Brasileira de Patologia(SBP) no Dia Mundial de Combate ao Câncer, relembrado neste sábado (8), segundo a organização informou à EFE.

Segundo a organização, a data está longe de ser uma comemoração e busca conscientizar a população sobre como prevenir e tratar a enfermidade que atinge, todo ano, milhões de pessoas no país. Além disso, a data marca a necessidade de avaliar melhor a maneira como o câncer tem sido tratado, seja pelas comunidades médicas, governos ou pelos próprios doentes.
De acordo com previsões tabuladas pelo INCA, entre os anos de 2016 e 2017, seriam constatados 596 mil casos da doença no país, com destaque para os casos de câncer de próstata para os homens, e de mama para as mulheres, em que ambos os tipos equivalem a 28% dos casos da enfermidade no Brasil (confira infografia).
Uma das avaliações mais necessárias no Brasil é como o processo de diagnóstico e tratamento é conduzido, começando pela patologia, definida pela SBP como a “fase que estuda os melhores procedimentos para tratamento precoce, isto é, antecede a oncologia e tenta indicar procedimentos mais adequados a partir da análise de tecidos e órgãos”.
Para a Sociedade, embora o trabalho dos patologistas seja considerado o alicerce da oncologia, existe certo descaso do poder público com a área.
Segundo o vice-presidente para assuntos profissionais da SBP, Dr. Renato Lima, os recursos destinados à patologia são menores do que o necessário para sua boa operação.
“Para uma biópsia de mama, por exemplo,o SUS paga um mesmo valor de 24 reais há 8 anos, sem reajustes, e esse valor é insuficiente para fazer o procedimento da maneira correta. Isso desestimula muitos laboratórios a fazer os exames para o público”, afirmou Lima à EFE.
O Ministério da Saúde não se manisfestou sobre os valores citados, mas defendeu-se dizendo que “o financiamento do SUS não se dá apenas por valor de tabela”, pois “há que se considerar outros benefícios como isenção fiscal e repasses feitos diretamente aos fundos locais de saúde”.
Relembre a infografia do EFESaúde sobre câncer de próstata e câncer de mama, de acordo com dados do INCA:

Falta de Investimento

Essa falta de investimento gera atrasos na realização do trabalho dos patologistas, o que é prejudicial tanto para a saúde dos pacientes como para a economia, como explica o médico.
“Por um lado, o paciente é o mais prejudicado, já que a demora para resolução de impasses médicos pode fazer o câncer evoluir, tornando a cura mais difícil; por outro, a tentativa do governo de economizar acaba se invertendo, pois com o agravamento da doença surgem gastos com cirurgias, radio e quimioterapias que poderiam ser evitados”, ressalta Lima.
Para o especialista, outro ponto que contribui para o agravamento da doença é a mudança do tratamento ideal. “Às vezes, a pessoa possui um tumor restrito e, assim, pode ser tratado com mais facilidade; porém, com a demora, ele pode se espalhar, e então o tratamento indicado já é outro”.
Sobre a data mundial de luta contra o câncer, Lima reforça a importância de conscientizar para prevenção e tratamento do câncer, além da necessidade de se preocupar com a condução do problema.
“Temos de conhecer nosso inimigo, saber as armas que temos para combatê-lo e verificar se elas estão sendo usadas corretamente”, reforçou em entrevista à EFE.

 Lei dos 60 dias

Conforme o artigo 2º da lei 12732/12, os pacientes diagnosticados com câncer devem iniciar o tratamento em até 60 dias. Entretanto, a população ainda enfrenta barreiras causadas pela ineficiência e burocracia do sistema, segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA).
De acordo com a instituição, dados do Ministério da Saúde revelam que somente 57% dos novos casos registrados no Sistema Nacional de Câncer (SISCAN) foram atendidos dentro do prazo determinado. Essa porcentagem refere-se apenas ao total de registros realizados no sistema frente ao total de pacientes atendidos pela rede pública de saúde.
Em nota à EFE, o Ministério retificou os dados e argumentou que “o tempo de espera para o tratamento ainda está muito ligado à estrutura das gestões locais de saúde” e que a “informatização do sistema e melhora da estrutura estão entre as prioridades da gestão atual.
Atualizado em: 13/04/2017, às 11:00

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