ESPECIAL CÂNCER

Dia Mundial Contra o Câncer: por mais avanços e histórias felizes

Ano passado, a professora e comerciante Alda Rissato, de 59 anos, descobriu que estava com câncer pela segunda vez.

  • Foto: Arquivo pessoal

Ano passado, a professora e comerciante Alda Rissato, de 59 anos, descobriu que estava com câncer pela segunda vez. Algumas dores e tosse com sangue a fizeram procurar um médico para uma consulta de rotina, que acabou em um amargo diagnóstico da tomografia, mostrando quatro nódulos nos pulmões, o que trazia um novo desafio a ela e sua família.

“Luta e fé”, essas eram duas palavras que não saíam da boca dos dois filhos, a arquiteta Maíra Rissato, e o médico, José Carlos Rissato. Mas a mais forte entre todos os entes familiares era a Alda.

“Na primeira vez, tudo foi mais rápido, ou agora eu vejo dessa maneira, sofremos, mas passou, ou melhor, achamos que tinha passado e que ela estaria curada, mas infelizmente quase 5 anos depois, houve metástase e ele voltou, e voltou com força. E foi com essa mesma força que lutamos durante todo o tratamento”, contou Maíra ao Efesaúde.

“Com o resultado da primeira tomografia, ficamos sabendo de uma maneira meio confusa que não era um, e sim quatro nódulos no pulmão”.

Maíra explicou o quanto é difícil assimilar a doença e entender o que fazer daquele momento em diante, porque é doloroso lidar com o diagnóstico positivo.

“Eu não queria acreditar, não queria entender, a única coisa que passava na minha cabeça era: Por que minha mãe? Por que nossa família novamente? Pensava: ela não merece, mas será que alguém merece? Ninguém merece. São “pedágios” da vida, que por algum motivo temos que enfrentar, e nesse pedágio estamos sozinhos, infelizmente milhões de famílias estão passando por isso nesse momento”, afirmou.

Desta vez, a doença da Alda se espalhou por metástase, que é a formação de um tumor decorrente de uma anterior, mas sem ser seguida uma da outra. Entre os primeiros sintomas, susto dos familiares ao saberem da notícia de que seria preciso uma cirurgia, radioterapia e quimioterapia no caso da professora.

Segundo ela foi um período de dor, mas também de reflexão. Tremedeira e enjôo eram os primeiros sintomas após as sessões de quimioterapia, mas repouso, boa alimentação e carinho eram os melhores remédios. Alda omitia a dor em troca de sorrisos.

“Lembro das mil vezes que perguntei como ela estava se sentindo, algumas, ou melhor muitas das vezes, tenho certeza que ela mentiu(ou omitiu), pois sempre forte, dizia apenas que era algo muito ruim que mal dava para explicar, mas que iria passar logo, era só ela ficar ali quietinha”, relembra Maíra.

Depois de 15 dias de tratamento, sua mãe começou a perder o cabelo e, prontamente, ela decidiu que iria raspar, uma passagem marcante em sua trajetória por ser muito vaidosa.

Esse processo assusta muitos pacientes por ser tratado como uma “continuidade da doença”, mas novos medicamentos tem ajudado na eficiência dos tratamentos, como pertuzumabe, substância que bloqueia a ação da proteína HER2, estimulante no crescimento de tumores em mamas. Com o uso do medicamente, as células doentes são destruídas.

“Que pertuzumabe seja logo usado em larga escala para q as pessoas sofram menos e que venham outras novidades ainda melhores ! Viva a pesquisa”, acrescentou Alda.

Foram várias sessões de quimioterapia, que a deixavam fragilizada nas primeiras semanas após a medicação. Ela perdeu o cabelo, mas encontrou esperança e charme na diversidade de lenços disponíveis: “Nesse momento tudo que eu pensava era em comprar lenços que a deixassem linda, que combinassem com ela e com as roupas, e isso não foi fácil. Só nós sabemos quanto nos estressamos e brincamos com isso”, destacou Maíra, que acompanhou a mãe em todas as sessões, se dividindo entre trabalho e companheirismo.

A filha divulgou todo o processo de tratamento, ainda em andamento, através de sua página no facebook, onde falava sobre o desafio de encarar a doença, relatava alguns percalços e a melhora da mãe, que recebia através da rede várias mensagens positivas.

“Última quimio”, diz a foto divulgada por Maíra Rissato em seu facebook.

“Não é fácil ver sua mãe ali sentada recebendo medicações super fortes na veia, que irão combater uma doença terrível. Pelo conselho de um paciente que também estava se tratando, chamamos esse tal medicamento de “gotinhas de amor”, e a cada ‘quimio’ eram 12 horas recebendo muito amor, que a faria sarar”, disse.

Alimentação saudável e regrada também foi importante para conter alguns sintomas posteriores às sessões.

“Sempre tivemos o hábito de comer muito bem, mas durante o tratamento minha mãe precisou se alimentar ainda melhor, com muitas restrições e exigência, todo o cardápio foi definido pela nutricionista da equipe médica. Sua pele mudou, e por sinal ficou mais bonita, o cabelo caiu, mas acho que a maior transformação é por dentro: uma força, uma fé, um amor que não se explica”.

Segundo a família, o apoio dos amigos foi fundamental e ouvir as histórias de pacientes com o mesmo problema ajudava na percepção da doença e no jeito de lidar com ela. Eram encontros com ” muita gente forte, disposta a sobreviver e vencer a batalha contra o câncer”.

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, a família Rissato aguarda ansiosa o próximo passo: “depois de finalizada todas as quimios que protocolo exigia, estamos aguardando ansiosos (apenas mais algumas horas) para saber o resultado final de todos os exames, mas mesmo sem saber, tenho certeza que serão os melhores possíveis, e assim seguimos vivendo um dia de cada vez, pois o amanhã infelizmente é sempre incerto”, conta Maíra.

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