HEPATITE C

Cura de hepatite C pode custar menos do que passagem aérea na classe econômica

Novos dados revelam que tratamento com antivirais genéricos custa no máximo 50 dólares; pesquisa com mais de mil pacientes atesta que medicamentos são extremamente efetivos

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Cura de hepatite C pode custar menos do que passagem aérea na classe econômica

O tratamento de 12 semanas com medicamentos genéricos para a cura da hepatite C pode custar apenas US$ 50 – preço semelhante ao de uma passagem aérea na classe econômica. Além disso, novos dados demonstram que esses medicamentos genéricos são tão eficazes quanto os de marca.

Ainda assim, no mundo inteiro, restrições e questões relativas a patentes significam que pouquíssimos pacientes podem acessar os medicamentos a esses baixos custos, segundo os especialistas presentes na Cúpula Mundial de Hepatites em São Paulo, Brasil (1 a 3 de novembro).

“Como há cerca de 70 milhões de pessoas infectadas pela hepatite C em todo o mundo, o custo básico dos medicamentos para tratar todos os infectados globalmente, a US$ 50 cada, seria de em torno de US$ 3,5 bilhões”, explica o Dr. Andrew Hill, especialista em farmacologia da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. Isso representa menos de 1% do orçamento global de saúde, que é de cerca de US$ 8 trilhões.

“Ainda há muito a ser feito para permitir que todos os países – e especialmente os em desenvolvimento – produzam ou comprem medicamentos a esses preços mais baixos. Sem mudanças significativas nas estruturas de preços, a batalha contra a epidemia global de hepatite C simplesmente não pode ser vencida”, disse.

Em sua apresentação, o Dr. Hill mostrará dados sobre os custos extremamente variáveis de um tratamento de 12 semanas com sofosbuvir e daclatasvir – combinação comum dos novos medicamentos antivirais de ação direta (AADs) que revolucionaram o tratamento da hepatite C, oferecendo uma cura rápida com poucos (ou sem) efeitos colaterais.

O custo dessa combinação de medicamentos varia de US$ 78, na Índia, e US$ 174, no Egito – a US$ 6 mil na Austrália; US$ 77 mil, no Reino Unido; e U$ 96.4, nos EUA. No entanto, o valor básico dos medicamentos genéricos, incluindo os custos de formulação e embalagem, é inferior a US$ 50 por tratamento, já levando em consideração uma pequena margem de lucro para as empresas.

Em países de alta renda, a maioria dos quais têm restrições de tratamento – permitindo que apenas pacientes no estágio avançado da doença sejam tratados primeiro –, alguns pacientes infectados recorrem à compra de medicamentos genéricos em clubes de compras internacionais (que os adquirem em massa de países em desenvolvimento) ou diretamente dos países onde são fabricados.

No Reino Unido, por exemplo, pacientes que não estavam dispostos a aguardar o agravamento da doença para receber o tratamento compraram legalmente o tratamento de 12 semanas com medicamentos genéricos a preços que variam entre US$ 1.000 e US$ 1.200. Estudos sobre esses pacientes mostram que as taxas de cura entre eles são tão altas quanto para os medicamentos de marca – variando de 90% a 95%.

Um estudo apresentado na Cúpula sobre a eficácia de AADs genéricos analisou 1.160 pacientes que importaram esses medicamentos para uso pessoal em 88 países de cinco continentes. Os dados revelam que as taxas de cura são bem superiores a 90% – o mesmo que para os produtos de marca, mas por um custo muito menor.

“Em 2016, para cada pessoa curada da hepatite C globalmente (1,6 milhão), outra pessoa foi recém-infectada (1,5 milhão). Não podemos eliminar essa epidemia a menos que tratemos mais pessoas – e só podemos fazer isso se os preços dos medicamentos caírem”, afirmou o Dr. Hill.

O especialista acrescentou que os fabricantes de AADs devem se esforçar para fornecer licenças voluntárias aos países que atualmente não as têm, para que as empresas produzam medicamentos genéricos mais baratos (e tão efetivos quanto). Foi o que ocorreu no Egito, que tinha quase 7 milhões de pessoas elegíveis para o tratamento – e que agora tem menos de 5 milhões nessas condições.

No entanto, mais de metade das pessoas infectadas globalmente vivem em países sem licença voluntária para permitir a produção de genéricos. “A China e a Rússia – dois países com grandes epidemias de hepatite C –, por exemplo, não possuem licença voluntária para produzir medicamentos genéricos baratos”, explicou.

No entanto, o Dr. Hill deixou claro que qualquer esforço para reduzir os preços dos medicamentos e permitir a produção genérica de AADs globalmente será inútil a menos que os países intensifiquem seus esforços para encontrar e diagnosticar suas populações infectadas. “Não podemos tratar as pessoas se não soubermos quem elas são”, observou.

“Os países devem intensificar maciçamente seus esforços de triagem, ou simplesmente ficarão sem pessoas para tratar – num gargalo de diagnóstico. A proporção de pacientes com hepatite C que sabem que estão infectados varia de 44%, em países de alta renda, a apenas 9%, em países de baixa renda”, disse.

Segundo o Dr. Hill, as lições da epidemia de HIV podem e devem servir para que o mundo alcance a eliminação da epidemia de hepatite C.

“Levamos 15 anos para colocar 19 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral para o HIV”, lembrou – acrescentando que “já temos os medicamentos necessários à eliminação da hepatite C; vamos aprender com o passado e repetir a história de sucesso do tratamento global do HIV”.

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O tratamento de 12 semanas com medicamentos genéricos para a cura da hepatite C pode custar apenas US$ 50 – preço semelhante ao de uma passagem aérea na classe econômica. Além disso, novos dados demonstram que esses medicamentos genéricos são tão eficazes quanto os de marca.

Ainda assim, no mundo inteiro, restrições e questões relativas a patentes significam que pouquíssimos pacientes podem acessar os medicamentos a esses baixos custos, segundo os especialistas presentes na Cúpula Mundial de Hepatites em São Paulo, Brasil (1 a 3 de novembro).

“Como há cerca de 70 milhões de pessoas infectadas pela hepatite C em todo o mundo, o custo básico dos medicamentos para tratar todos os infectados globalmente, a US$ 50 cada, seria de em torno de US$ 3,5 bilhões”, explica o Dr. Andrew Hill, especialista em farmacologia da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. Isso representa menos de 1% do orçamento global de saúde, que é de cerca de US$ 8 trilhões.

“Ainda há muito a ser feito para permitir que todos os países – e especialmente os em desenvolvimento – produzam ou comprem medicamentos a esses preços mais baixos. Sem mudanças significativas nas estruturas de preços, a batalha contra a epidemia global de hepatite C simplesmente não pode ser vencida”, disse.

Em sua apresentação, o Dr. Hill mostrará dados sobre os custos extremamente variáveis de um tratamento de 12 semanas com sofosbuvir e daclatasvir – combinação comum dos novos medicamentos antivirais de ação direta (AADs) que revolucionaram o tratamento da hepatite C, oferecendo uma cura rápida com poucos (ou sem) efeitos colaterais.

O custo dessa combinação de medicamentos varia de US$ 78, na Índia, e US$ 174, no Egito – a US$ 6 mil na Austrália; US$ 77 mil, no Reino Unido; e U$ 96.4, nos EUA. No entanto, o valor básico dos medicamentos genéricos, incluindo os custos de formulação e embalagem, é inferior a US$ 50 por tratamento, já levando em consideração uma pequena margem de lucro para as empresas.

Em países de alta renda, a maioria dos quais têm restrições de tratamento – permitindo que apenas pacientes no estágio avançado da doença sejam tratados primeiro –, alguns pacientes infectados recorrem à compra de medicamentos genéricos em clubes de compras internacionais (que os adquirem em massa de países em desenvolvimento) ou diretamente dos países onde são fabricados.

No Reino Unido, por exemplo, pacientes que não estavam dispostos a aguardar o agravamento da doença para receber o tratamento compraram legalmente o tratamento de 12 semanas com medicamentos genéricos a preços que variam entre US$ 1.000 e US$ 1.200. Estudos sobre esses pacientes mostram que as taxas de cura entre eles são tão altas quanto para os medicamentos de marca – variando de 90% a 95%.

Um estudo apresentado na Cúpula sobre a eficácia de AADs genéricos analisou 1.160 pacientes que importaram esses medicamentos para uso pessoal em 88 países de cinco continentes. Os dados revelam que as taxas de cura são bem superiores a 90% – o mesmo que para os produtos de marca, mas por um custo muito menor.

“Em 2016, para cada pessoa curada da hepatite C globalmente (1,6 milhão), outra pessoa foi recém-infectada (1,5 milhão). Não podemos eliminar essa epidemia a menos que tratemos mais pessoas – e só podemos fazer isso se os preços dos medicamentos caírem”, afirmou o Dr. Hill.

O especialista acrescentou que os fabricantes de AADs devem se esforçar para fornecer licenças voluntárias aos países que atualmente não as têm, para que as empresas produzam medicamentos genéricos mais baratos (e tão efetivos quanto). Foi o que ocorreu no Egito, que tinha quase 7 milhões de pessoas elegíveis para o tratamento – e que agora tem menos de 5 milhões nessas condições.

No entanto, mais de metade das pessoas infectadas globalmente vivem em países sem licença voluntária para permitir a produção de genéricos. “A China e a Rússia – dois países com grandes epidemias de hepatite C –, por exemplo, não possuem licença voluntária para produzir medicamentos genéricos baratos”, explicou.

No entanto, o Dr. Hill deixou claro que qualquer esforço para reduzir os preços dos medicamentos e permitir a produção genérica de AADs globalmente será inútil a menos que os países intensifiquem seus esforços para encontrar e diagnosticar suas populações infectadas. “Não podemos tratar as pessoas se não soubermos quem elas são”, observou.

“Os países devem intensificar maciçamente seus esforços de triagem, ou simplesmente ficarão sem pessoas para tratar – num gargalo de diagnóstico. A proporção de pacientes com hepatite C que sabem que estão infectados varia de 44%, em países de alta renda, a apenas 9%, em países de baixa renda”, disse.

Segundo o Dr. Hill, as lições da epidemia de HIV podem e devem servir para que o mundo alcance a eliminação da epidemia de hepatite C.

“Levamos 15 anos para colocar 19 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral para o HIV”, lembrou – acrescentando que “já temos os medicamentos necessários à eliminação da hepatite C; vamos aprender com o passado e repetir a história de sucesso do tratamento global do HIV”.

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