SAÚDE ALIMENTOS

Congresso em SP critica pouca divulgação de dados técnicos sobre alimentos

Para conscientizar a população sobre o que verdadeiramente se come e os princípios de segurança alimentar, especialistas da área se reúnem até a próxima quinta-feira em SP para discutir as formas de desmistificar polêmicas como as sobre açúcar, adoçante e alimentos orgânicos.

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Congresso em SP critica pouca divulgação de dados técnicos sobre alimentos

Especialistas das áreas de nutrição e alimentação criticaram nesta terça-feira, em São Paulo, a falta de informações técnicas sobre a composição de alimentos e também em relação a seus riscos, mitos e verdades, o que causa uma confusão na delimitação de hábitos alimentares saudáveis.

“Houve muito avanço na indústria e nas tecnologias de alimentos, desenvolvimento de novos ingredientes e embalagens, mas sempre com discussão entre os pares da indústria, cientistas, especialistas. Foi uma falha muito grande não trazer para a sociedade os conteúdos técnicos“, disse à Agência Efe o engenheiro de alimentos Raul Amaral.

Segundo Amaral, o distanciamento de informações técnicas e cientificas da população consumidora é uma das principais preocupações dos debates da 14ª edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, que começou nesta terça-feira (29).

“A população quer um norte para mudar seus hábitos alimentares, mas a confusão ainda é grande”, afirmou o engenheiro, mostrando que alimentos preparados em casa podem ter níveis de processamento e substâncias aditivas para mantê-los frescos sem causar danos à saúde.

O também coordenador de plataforma de Inovação Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Alimentos, Ital, ressaltou que não dá para separar a alimentação em “comida de verdade e de mentira”, o que estimula a propagação de mitos sobre saúde alimentar difundidos largamente através das redes sociais.

Amaral explicou que a reivindicação se deve principalmente a casos envolvendo substâncias químicas de risco encontradas em alimentos que causam temor generalizado, quando é preciso lembrar da “averiguação” que se tem de cada produto até que ele seja comercializado.

Para conscientizar a população sobre o que verdadeiramente se come e os princípios de segurança alimentar, especialistas da área se reúnem até a próxima quinta-feira para discutir as formas de desmistificar polêmicas como as sobre açúcar, adoçante e alimentos orgânicos.

“A reivindicação é que o brasileiro possa fazer suas opções em cima da realidade e não de mitos. A tendência dos consumidores é transparência de como o alimento foi produzido, e isso é quase uma obrigação”, destacou.

Para a especialista em toxicologia Cristina Corrêa, todo alimento tem na composição substâncias químicas “perigosas”. “É a exposição a elas o que causa danos a saúde”, frisou.

Uma das soluções apontadas pelos dois especialistas é a necessidade de órgãos reguladores nacionais divulgarem conteúdos sobre o tema ao público, e não somente a organizações do setor.

“A questão não é a qualidade do alimento orgânico e não orgânico, mas sim a contaminação do produto. É preciso que a população saiba as informações técnicas”, afirmou Corrêa.

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Publicado em Nutrição

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