GRAVIDEZ NO TRABALHO

Companhia aérea é punida por pedir teste de gravidez em entrevista de emprego

Órgãos do governo espanhol consideram “discriminatória” esta prática da companhia que conta com 46% dos seus postos de trabalho ocupados por mulheres, que no caso das comissárias de bordo esse número dispara para 71% das contratações.

  • EFE/Thais LlorcaEFE/Thais Llorca

A companhia aérea espanhola Iberia recebeu uma sanção administrativa de 25 mil euros (algo em torno de 90 mil reais) do Governo da região das ilhas Baleares (no Mediterrâneo) por submeter a suas candidatas a exames de urina para saber se estariam grávidas antes de contratá-las.

Órgãos do governo espanhol consideram “discriminatória” esta prática da companhia que conta com 46% dos seus postos de trabalho ocupados por mulheres, que no caso das comissárias de bordo esse número dispara para 71% das contratações.

Questionada, a companhia assegurou que “nunca deixou de contratar a uma mulher por estar grávida” e que conta com protocolos “muito rigorosos” para proteger às mulheres grávidas em sua equipe e em candidatas para que suas tarefas não ponham em risco “a sua saúde e a do feto”.

A proposta de sanção veio a partir da Inspetoria do Trabalho da região após supervisionar há um ano um processo de seleção, onde houve uma denúncia de que ao negar a contribuir para o exame, a candidata foi expulsa do processo, informaram fontes da Secretaria do Trabalho.

A companhia aérea alegou que a prova era levada a cabo por motivos de segurança, com o objetivo de proteger as trabalhadoras que estivessem grávidas e aplicar o protocolo de prevenção de riscos trabalhistas adequados a estes casos.

Apesar disto, Iberia retificou e, a partir de agora, não pedirá às mulheres que se submetam a um teste de gravidez, mas sim confia em que elas “comuniquem o seu estado com antecipação” e se possam adequar assim as suas funções temporárias.

No entanto, os sindicatos exigiram hoje à empresa que modifique o seu processo de seleção de pessoal para que a informação sobre uma possível gravidez se produza após a contratação e nunca antes.

UGT, um dos principais sindicatos espanhóis, lembrou que a prova pode ser exigível às trabalhadoras a fim de prevenir riscos, mas não durante o processo de seleção.

Por sua parte, a ministra espanhola da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade, Dolors Montserrat, mostrou hoje sua “desaprovação absoluta ” pela atitude da Iberia para com as mulheres e advogou pela implementação de um “curriculum cego”, a fim de evitar qualquer tipo de discriminação.

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