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    Pílula e cigarro, combinação perigosa para mulheres

    Segundo o Inca, mulheres que fumam e tomam pílula, têm dez vezes mais chance de sofrer ataques cardíacos e embolia pulmonar do que as que não fumam e utilizam o medicamento.

    • EFE/Boris RoesslerEFE/Boris Roessler
    EFE/Boris Roessler

    Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o cigarro é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos, mas para aquelas que fumam e tomam pílula, os riscos de sofrer ataques cardíacos e embolia pulmonar é dez vezes maior em relação as que não fumam e utilizam a pílula para o controle da natalidade.

    “O cigarro é fator agravante para o risco de doenças arteriais, como infarto e o acidente vascular cerebral (AVC) e existem estudos de que mulheres acima dos 35 anos que fumam e tomam pílula têm mais risco de AVC do que as que somente fumam, e é por isso que a recomendação da OMS é a de que não se prescreva anticoncepcionais com estrogênio”, explicou ao EfeSaúde o médico Rogério Bonassi, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

    O especialista diz que mulheres fumantes nessa faixa etária podem tomar pílulas que tenham o componente estrogênio, responsáveis pelo processo de vasoconstrição, ou seja, contração de vasos sanguíneos.

    Em oposição ao que se pensa, o cigarro não tem relação direta com doenças venosas, é o que explica o médico Pedro Komlós, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

    “O cigarro, que é maléfico para outras tantas coisas, é um vasoconstritor. Por outro lado, a trombose venosa depende da coagulação do sangue dentro de uma veia e também da existência de pré-disposição (à doença) e existem pessoas que nascem com deficiência de um ou mais fatores de coagulação” esclarece Komlós.

    Bonassi também concorda: “realmente o cigarro não é o fator mais importante para ter trombose venosa”, além de apontar outros riscos para o cigarro se aliado à pílula.

    Combinação perigosa

    De acordo com ele, a interação com o hormônio etinilestradiol, estrogênio bioativo utilizado por via oral na pílula, é um hormônio que diminui o calibre das artérias e ativa algumas substâncias do fígado que vão reter líquido, “o que dá boas chances para o infarto, fora isso tem a atuação sobre o fator de coagulação também.

    Apesar dos riscos para fumantes, o anticoncepcional é “extremamente necessário na vida moderna”, ressalta Komlós, que considera este método como “a grande proteção da mulher para uma gravidez indesejada” e não deve ser transformado em “vilão”.

    Para o médico, quem deve dar a opinião final para as pacientes é um especialista, quando surgir dúvida e necessidade, analisando as informações “caso a caso”.

    “Eu não relacionaria o cigarro como um dos fatores mais importantes da geração de trombose venosa. Acho que não é um fator, hoje, a ser considerado”, disse Komlós.

    Mito ou verdade?

    Ex-fumantes não podem usar anticoncepcionais.

    Mito. Para ter problemas, quem toma a pílula tem que ser uma fumante atual, ao parar de fumar, o uso de anticoncepcionais não apresenta risco.

    Emendar uma cartela de anticoncepcional com outra é perigoso.

    Mito. Contanto que sejam respeitadas as contraindicações, a paciente pode emendar uma cartela na outra sem problema.

    Anticoncepcionais são responsáveis pelo surgimento de varizes.

    Depende. Os anticoncepcionais modernos contém uma mínima dose de hormônios, e eles não estão mais envolvidos na geração de varizes, mas podem contribuir em casos de predisposição.

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