ALZHEIMER

Cientistas revelam novas descobertas sobre como o cérebro forma as lembranças

Descoberta dá informações básicas que podem levar a entender os mecanismos patológicos envolvidos na doença de Alzheimer e outros transtornos neurológicos vinculados à perda de memória.

  • mas infoepa03405827 People suffering from Alzheimer desease, their families and volunteers who take care of them, march in a symbolic demonstration in central Athens, Greece, 21 Septemebr 2012, on World Day against Alzheimer. EPA/ORESTIS PANAGIOTOUFoto: EPA/ORESTIS PANAGIOTOUFoto: EPA/ORESTIS PANAGIOTOU
Foto: EPA/ORESTIS PANAGIOTOU

Os neurônios do hipocampo desempenham um papel fundamental na capacidade de criar com rapidez novas lembranças sobre os eventos e experiências da vida diária, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista “Neuron”.

Esta descoberta dá informações básicas que podem levar a entender os mecanismos patológicos envolvidos na doença de Alzheimer e outros transtornos neurológicos vinculados à perda de memória.

Um estudo do doutor Matias Ison e do professor Rodrigo Quian Quiroga, da Universidade britânica de Leicester, junto ao doutor Itzhak Fried, da Universidade da Califórnia, revelou como os neurônios no cérebro respondem de uma maneira diferente quando é criada uma nova lembrança.

Esses neurônios se encontram no hipocampo, uma região do cérebro muito vinculada à memória, explicou à Agência Efe Quian, que destacou que é a primeira vez que é mostrado em um estudo com humanos o mecanismo neuronal da criação de lembranças episódicas (as que são formadas com nossas vivências pessoais).

Há uma década, Quian “descobriu” que há neurônios que respondem a conceitos, após visualizar que um grupo de neurônios respondia perante a imagem da atriz Jennifer Aniston e não perante outros famosos ou outras imagens. Por isso tal fato é conhecido como “neurônios Jennifer Aniston”.

A memória episódica se baseia em formar associações entre conceitos e a hipótese do novo estudo era que os neurônios do hipocampo estavam envolvidos neste processo, disse.

Para seu estudo, os especialistas gravaram a atividade de mais de 600 neurônios usando eletrodos implantados no lóbulo temporal medial de 14 pacientes afetados por uma epilepsia grave, que usavam estes dispositivos para uma possível cura de sua doença com cirurgia.

Aos pacientes foram mostradas fotografias de famosos, perante as quais um neurônio respondia, além de lugares como a Torre Eiffel, a de Pisa e a Casa Branca, aos quais outro respondia.

Depois, foi realizada uma montagem de imagens combinando essas pessoas e lugares, para que os pacientes criassem uma associação, por exemplo Julia Roberts na Casa Branca.

Uma vez que a pessoa criassem essa associação -indicou Quian Quiroga- os especialistas comprovaram que o neurônio que respondia ao ver a fotografia de Julia Roberts também começava a “disparar” ao ver a Casa Branca.

Para o cientista, “o surpreendente é que a capacidade dos neurônios para responder a um estímulo diferente foi gerada rapidamente. No momento exato em que o paciente começou a lembrar da nova associação, o neurônio começou a disparar também o conceito associado”.

Em algumas ocasiões bastou que o paciente visse a associação de pessoa e lugar apenas uma vez para que os neurônios respondessem, disse Quian Quiroga, para quem essa rapidez é “fundamental”, pois na vida diária um fato pode ser vivido ou presenciado uma só vez.

Este estudo “evidencia muito bem os processos neuronais que geram a formação de lembranças”, disse o especialista, para quem, a partir daí, foi aberto “um leque de perguntas”, entre elas quanto duram no cérebro ou como se consolidam.

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Publicado em Ciência Médica

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