PESQUISA - CÉLULAS

Células germinativas primordiais são recriadas pela 1º vez em laboratório

Os resultados deste estudo podem ajudar a dar respostas às causas dos problemas de fertilidade, compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário e, potencialmente, permitir o desenvolvimento de novos tipos de tecnologia reprodutiva.

  • mas infoRUN211 BANGKOK (TAILANDIA) 11.02.09 Fotografía facilitada el 11 de febrero de 2009 que muestra al doctor Kostas Papadopoulos, director de la THAI StemLife Company, en un banco de células madre en Bangkok (Tailandia), el 30 de enero de 2009. Los bancos públocos y privados almacenan células del cordón umbilical con el fin de curar enfermedades de la sangre, como la leucemia. EFE/Rungroj YongritFoto: EFE/Rungroj YongritFoto: EFE/Rungroj Yongrit
Foto: EFE/Rungroj Yongrit

Um grupo de pesquisadores conseguiu recriar, pela primeira vez em um laboratório, células germinativas primordiais de humanos, o que pode dar resposta às causas da infertilidade.

Embora este tipo de célula já tenha sido reproduzida em laboratório no caso dos roedores, fazer o mesmo com as humanas era um desafio, ao qual enfrentaram cientistas da britânica Universidade de Cambridge e do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel.

A revista americana “Cell”, que publicou nesta quarta-feira seu estudo, destacou que esta é “a primeira vez que células humanas foram programadas para situar-se em um estágio tão prematuro de desenvolvimento” como é o das células germinativas primordiais (PGC), das quais derivam os óvulos e espermatozoides.

Os resultados deste estudo podem ajudar a dar respostas às causas dos problemas de fertilidade, compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário e, potencialmente, permitir o desenvolvimento de novos tipos de tecnologia reprodutiva.

“A criação de células germinativas primordiais é um das primeiras fases no desenvolvimento dos mamíferos”, explicou um dos autores do estudo, Naoki Irie, do Wellcome Trust/Cancer Research UK Gurdon Institute da Universidade de Cambridge.

As PGC aparecem durante as primeiras semanas do crescimento embrionário, quando as células-tronco embrionárias do óvulo fertilizado começam a diferenciar-se em vários tipos de células básicas.

Uma vez que essas células primordiais são “especificadas”, seguem seu desenvolvimento para células precursoras de espermatozoides ou de óvulos “de uma maneira bastante automática”, segundo o doutor Jacob Hanna, do Instituto Weizmann.

A ideia de criar este tipo de células em um laboratório surgiu com a criação em 2006 de células-tronco pluripotentes induzidas (IPS), ou seja, células adultas que são “reprogramadas” de modo que parecem e atuam como células-tronco embrionárias, as quais podem transformar-se em qualquer tipo de célula.

Os pesquisadores descobriram que um gene conhecido como SOX17 é fundamental para conseguir que as células-tronco humanas se transformem em PGC, o que foi uma surpresa para eles pois, no caso dos ratos, o equivalente desse gene não intervém no processo, o que sugere a existência de uma diferença fundamental entre o desenvolvimento dos humanos e o dos roedores.

O estudo demonstrou, além disso, que as PGC também podem conseguir a partir de células adultas reprogramadas, como as da pele, o que permitirá avançar no conhecimento da linha germinativa humana, a infertilidade e alguns tipos de tumores.

Hanna destacou que conseguir a PGC é apenas o primeiro passo para criar espermatozoides e óvulos humanos, embora ainda restem obstáculos antes que se possa completar em um laboratório a cadeia de passos que leva a uma célula adulta.

Por enquanto, o estudo já rendeu alguns resultados interessantes que podem ter implicações significativas para novas pesquisas sobre as PGC e outras células embrionárias de formação antecipada.

Marcados com: , ,
Publicado em Ciência Médica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Login

Registrar | Perdeu sua senha?