Hand Spinner

“Hand spinner” não auxilia no combate ao estresse, diz especialista

Embora o objeto, por si só, não cause nenhum mal, seu uso não pode ser indiscriminado

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EFE/Wikimedia Commons

Presente nas mãos de adultos e crianças em qualquer ambiente que se olhe, nas prateleiras de lojas ou nas sacolas de vendedores ambulantes, o “hand spinner” tornou-se o brinquedo da moda. Os rolamentos ganharam a fama de ajudar a aliviar o estresse e contribuir com o tratamento de crianças com transtornos psicológicos, porém, segundo especialistas, não há nenhum embasamento.

“Foi colocada uma propaganda de que o ‘hand spinner’ é um brinquedo terapêutico, especialmente para quem sofre de problemas como o autismo e o déficit de atenção”, explica a fonoaudióloga e especialista em autismo, Danielle Damasceno. “Isso não passa de uma estratégia de vendas, já que não existe nenhum tipo de estudo que comprove ou embase essa teoria”.

Os “hand spinners” são compostos por um rolamento central, com duas ou três hastes arredondadas que giram sobre ele, conforme o indivíduo o segura pelo centro e dá impulso às extremidades. Disponível em várias versões, podem ser feitos de uma infinidade de metais e plásticos, além de conter luzes ou outros elementos que contribuam para o aumento dos estímulos visuais.

Segundo Danielle, essa apelo visual não contribui em nada para tranquilizar as crianças. “A estimulação por meio de luzes e movimentos não é algo terapêutico, pois não possui uma função determinada”, argumenta. “Além disso, no caso de crianças com autismo, já existe o hábito de executar movimentos de forma repetitiva, havendo a possibilidade de que fiquem absortos com o auto estímulo”.

Criado há algumas décadas, o brinquedo explodiu no mundo todo neste ano por provocar uma sensação de prazer pelo desafio e saciedade fugaz que proporciona. “O alívio da mente e o incentivo à melhora da performance regulam, temporariamente, a ansiedade. Quando acaba a novidade, tudo volta ao normal, o que torna sua eficácia instantânea”, conta a especialista.

Para aliviar o estresse e favorecer as pessoas com autismo e déficit de atenção, Damasceno sugere a adoção de atividades motoras, como exercícios físicos e brincadeiras ao ar livre. “Estímulos motores são mais funcionais, o que é um requisito para serem considerados terapêuticos, aliviando a tensão e o estresse”.

Dosar o uso

A febre pelo brinquedo criou problemas pelo excesso de uso, em situações nas quais não deveria ser utilizado, como nas salas de aula. “O ‘hand spinner’ nas escolas evidencia a importância de não desviar o foco de cada situação. Enquanto um adulto sabe dosar o tempo e os locais, a criança necessita de um acompanhamento”, afirma Danielle.

Dessa maneira, não existe um malefício no brinquedo em si, desde que seu uso seja controlado. “Ele não é perigoso, mas pode distrair de um objetivo e o fato de ser propagado como terapêutico favorece que ele esteja presente nas mais diversas situações”.

Por fim, a fonoaudióloga destaca a importância da socialização, tanto para o desenvolvimento das crianças como na mitigação dos transtornos mentais. “Qualquer brinquedo com o qual se brinca sozinho não trabalha a convivência social, que é importantíssima para a formação pessoal de cada um. Nesse sentido, atividades em grupo e interativas são as melhores alternativas para ocupar o tempo livre”.

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Publicado em Dicas e curiosidades

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