Hepatite C

Brasil e mais oito países devem eliminar a hepatite C até 2030, diz relatório

De acordo com a organizção, os últimos dados sobre a hepatite C revelam que, no mundo, a cada 5 pacientes com a doença, apenas um sabe que tem a enfermidade, o equivalente a 14 milhões que sabem em um total de 69 milhões de infectados.

  • mas infoO ministro da Saúde, Ricardo Barros. EFE/Antonio LacerdaO ministro da Saúde, Ricardo Barros. EFE/Antonio LacerdaO ministro da Saúde, Ricardo Barros. EFE/Antonio Lacerda
O ministro da Saúde, Ricardo Barros. EFE/Antonio Lacerda

O Brasil e mais oito países estão “no rumo certo” para erradicação da hepatite C até 2030, meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo dados anunciados hoje, durante a abertura da Cúpula Mundial Contra Hepatites, realizada em São Paulo.

Brasil, Austrália, Japão, Egito, Geórgia, Alemanha, Islândia, Holanda e Catar são as nove nações consideradas preparadas para atuar no combate da epidemia que mata mais de um milhão de pessoas por ano, segundo relatório da Observatório Polaris, iniciativa da ONG Americana CDA Foundation, responsável por acelerar metas globais contra hepatites virais.

“Esses novos dados demonstram que a eliminação da hepatite C é possível, mas também que é preciso fazer mais para apoiar os governos na luta contra hepatites virais”, reforçou em nota Charles Gore, presidente da Aliança Mundial contra Hepatites (WHA).

O relatório ainda destaca a ação de alguns “países-chave” na erradicação desta inflamação viral e aguda do fígado, desde que a OMS estabeleceu a meta em 2016, que são Brasil, Geórgia, Austrália e Egito.

Junto à divulgação do relatório, o Ministério da Saúde brasileiro anunciou um plano nacional específico para erradicação da hepatite C a partir de 2018, ano em que pacientes começarão a passar por testes para dignóstico e tratamento independente do grau de inflamação do fígado.

EFE/Isadora Camargo

De acordo com o ministro da saúde, Ricardo Barros, a expectativa é tratar 657 mil pessoas, sendo a meta mínima anual de 50 mil pacientes, o que “torna o projeto de erradicação mais viável” e sem restrições.

“A meta é alcançável, pois distribuiremos até o ano que vem o dobro de testes feitos para identificar os portadores de hepatite C, totalizando 12 milhões de diagnósticos”, informou Barros em coletiva de imprensa, após a abertura do evento.

O ministro, ainda, afirmou que “155 mil pacientes estão notificados com a doença no Brasil e metade está tratado ou sob tratamento”, garantindo que o objetivo é ter um maior número de diagnósticos e que não há “dificuldades orçamentárias” para isso.

“O Brasil não recebe subsídio para o tratamento e está dando um exemplo para o mercado que é preciso reduzir preços através de uma negociação duríssima com a indústria farmacêutica, o que já nos permitiu uma economia de 4 milhões”, enfatizou.

Barros ressaltou que a ação está inspirada em experiências anteriores como a de Portugal, onde “se compra a cura e não o tratamento”, sendo o plano pautado nas negociações mais diretas com a indústria farmacêutica para disponibilizar as medicações adequadas a cada paciente a um custo de até U$ 3.000,00 (equivalente a R$ 9.900,00), valor que só será pago após atestado de cura do paciente. “O Brasil é considerado um modelo para desenvolvimento do combate à doença, foi o pais que solicitou a formalização do Dia Mundial de Combate à Hepatite“, reforçou o membro da OMS, o médico Gottfried Hirnschall.

EFE/Isadora Camargo

Outro problema discutido foi a necessidade urgente de fazer testes em massa com a população para diagnosticar três vezes mais pacientes, segundo meta proposta pela WHA.

De acordo com a organizção, os últimos dados sobre a hepatite C revelam que, no mundo, a cada 5 pacientes com a doença, apenas um sabe que tem a enfermidade, o equivalente a 14 milhões que sabem em um total de 69 milhões de infectados.

Com os dados, a WHA faz um alerta para acelerar os planos nacionais e internacionais de tratamento, pois a maioria dos países “está ficando sem pacientes para tratar por causa das baixas taxas de diagnóstico em todo o mundo”, apontou nota emitida pela instituição.

O evento é realizado pela OMS e WHA e segue até a próxima sexta-feira (3) com debates, especialmente, sobre a necessidade de fomentar políticas públicas e tratamentos mais eficientes para as hepatites virais no mundo.

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Publicado em Ciência Médica

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