EUTANÁSIA

Aumento de pedidos faz clínica para eutanásia na Holanda funcionar no limite

Até agosto de 2017, das 2 mil solicitações recebidas na Levenseindekliniek 650 tinha sido aprovadas.

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Este ano, a única clínica da Holanda dedicada exclusivamente à prática da eutanásia recebeu 2 mil solicitações, quase o triplo das recebidas em 2012, quando iniciou as atividades.

“Atualmente, temos 52 equipes com um médico e uma enfermeira, que se deslocam ao lugar onde o paciente está. Com a demanda crescendo, em um ano vamos precisar do dobro de funcionários e teremos umas cem equipes” disse à Agência Efe Annerieke Dekker, assessor da clínica Levenseindekliniek, em Haia.

A empresa atende pacientes cujos médicos não desejam ou não podem praticar a eutanásia, seja por falta de tempo ou por motivos éticos. Na maioria dos casos trata-se de pessoas com alguma doença de ordem cognitiva ou psiquiátrica, muitas vezes casos complexos, pois nem sempre a vontade expressa do paciente está clara.

“Para os pacientes com demência e outras doenças psiquiátricas, é muito difícil determinar se tomam a decisão de forma consciente e voluntária. Por isso os nossos médicos avaliam se os demais critérios estão sendo cumpridos”, explicou Dekker.

Entre as condições cruciais estão dor insuportável e falta de perspectivas de cura. Além disso, é analisada a situação na qual a pessoa pediu para morrer: há poucas semanas ou há anos, antes mesmo de desenvolver a doença.

Até agosto de 2017, das 2 mil solicitações recebidas na Levenseindekliniek 650 tinha sido aprovadas, as outras 1.350 foram negadas por não responder aos requisitos estabelecidos pela lei.

Para Dekker, o excesso de pedidos se deve ao melhor acesso sobre a lei. Para Marianne Dees, do Programa Médico de Apoio e Assistência à Eutanásia, o excesso de pedidos é consequência da falta de responsabilidade dos médicos com os pacientes, já que “acompanhá-los neste processo requer muito tempo”. Na opinião dela, que fez 50 eutanásias durante a carreira profissional, “a solução proposta pela clínica é terrível”.

“Nem devia ser chamada de clínica, porque não trata o paciente, não o conhece. Só dá duas opções: ou pratica a eutanásia ou nega. Só isso”, defendeu.

Por sua vez, o porta-voz do Sindicato dos Trabalhadores Protestantes (RMU), Peter Schalk, criticou o trabalho da empresa e qualificou de “vergonhoso” a forma como trata o desejo de morrer dos pacientes.

“Pelas nossas crenças religiosas, consideramos que a solução não é a de oferecer a morte, mas dar mais atenção para ajudar a viver”, disse ele, que também condenou a falta de investimento em cuidados paliativos para os idosos, o que, segundo ele, teria um efeito direto na redução da demanda por eutanásia.

Em 2002, a Holanda se tornou o primeiro país do mundo a legalizar a eutanásia. A rígida lei que descreve a prática evitou o surgimento de casos polêmicos, mas algumas doenças tem gerado debate.

Nos últimos anos, o número de eutanásias aumentou em todo o país chegando a representar a 4% dos falecimentos contabilizados em 2016, a maior parte deles pacientes com câncer que tiveram o procedimento feito pelo próprio médico.

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Publicado em Dicas e curiosidades

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